terça-feira, janeiro 4

6. Capítulo – Ausência

Após minha relação com Lea, não tive coragem de me dirigir a ela, e a convidar para sair novamente, estava com medo, e com vergonha, mesmo sabendo que eu a amava, e ela me amava.
Eu estava em um momento muito difícil, na fase da adolescência, onde parece que tudo, e todos estão contra você, e eu tinha poucos amigos para conversar, apenas, Zacky, Matt, e Brian, e eu não via um deles há quase seis semanas.
Por uma boa parte do dia, eu ficava treinando na minha bateria, mesmo ela não sendo assim tão boa, mas eu gostava de tocar, eu conseguia descarregar toda a minha emoção em cima de apenas duas baquetas, o que diziam ser impressionante
Também passava boa parte do dia escrevendo, e reescrevendo letras, eu amava fazer aquilo e acabara virando uma coisa normal para mim.
― Se você usase metate do tempo que você gasta com musica, nos estudos.. – Disse meu pai, mesmo sabendo que eu não ia dar atenção
― Pai... Chega né ― falei com um tom calmo, prestando atenção somente no meu lápis, e em um pedaço de papel que estavam em minha frente.
Eu tentava escrever uma letra tocante, onde todos conseguissem se identificar, mas isso para mim, era impossível, infelizmente.
A ausência de Lea, estava me corroendo por dentro, eu só conseguia escrever letras relacionadas com amor, e sabia que a culpa era minha.
Fechei os olhos e dei um leve suspiro, então decidi ligar para Lea, coisa que eu não fazia a quatro semanas.
Peguei o telefone, e disquei seu numero lentamente, e começou a chamar..

― Alo ? ― Atendeu Lea, com a voz mais doce do mundo
― ah.. ― comecei a ficar nervoso, pois pensei que ela poderia ter esquecido de mim.
Desliguei o telefone rapidamente, sem coragem para ligar denovo, mas só de ouvir aquela voz, meu coração se encheu de inspiração, e voltei a escrever.
Ao passar de uns vinte minutos, eu não agüentava mais e resolvi ligar denovo, fiz o mesmo procedimento da ultima vez, e esperei ela atender.

― Alo ? ― Atendeu Lea, dessa vez com um tom desconfiado
― Ah, Lea ? ― Continuei a conversa, com um tom desajeitado
― Quem é ? ― Perguntou ela, pois pensava que poderia ser trote
― Lea, é o Jimmy, tudo bem ? ― consegui falar normalmente, recuperando o fôlego
― Ah.. Oi Jimmy.. ― Ela continuou, meio desanimada.
― Aconteceu alguma coisa ? ― Perguntei, tentando puxar assunto
― Ah, Jimmy.. Sabe o que é.. ― Respondeu Lea
― Quer saber, não diga, vamos sair hoje a noite e eu posso te ajudar a se sentir melhor, o que acha ? ― Interrompi.
― Então, hoje... eu vou sair com o John ― Concluiu Lea
― John, aquele da antiga escola ? ― Perguntei, muito aflito
― Sim Jimmy, eu e ele.. estamos juntos agora. ― Disse Lea

Fiquei sem palavras, desliguei o telefone sem falar mais nada, meu coração estava ficando cada vez mais apertado, e comecei a chorar, mesmo sendo a pessoa fria que sou.
Eu estava me sentido rejeitado, não agüentava mais, quando a Lea me contou aquilo, tive vontade de morrer.
― NÃO AGUENTO MAIS ESSA VIDA ! ― Gritei, mas ainda soluçando

Deitei em minha cama, e cobri minha cabeça com o travesseiro, tranquei a porta do meu quarto, e acabei caindo no sono.

Desde que cai no sono, se passaram mais ou menos umas duas horas, e quando acordei, ainda chocado, não tinha ação, não sabia o que fazer, e nem o que pensar.
Ouço o telefone tocar, no canto de minha cama, e ponho a mão em cima dele, e atendo, com angustia.



― A.. Alo ? ― disse com vontade de desligar o telefone
― Alo, Jimmy ? ― disse uma voz calma e amigável
― M..M.. Matt !? ― Perguntei, ancioso pela resposta
― Isso mesmo Amigão, quanto tempo hein ? ― Matt responde, dando uma leve risada
― Realmente, estava sentido sua falta, como vai a vida ? ― Perguntei, esboçando um leve sorriso
― Ah, vai bem, e a sua ? ― Respondeu Matt, com um tom sério

Fiquei sem palavras, não podia responder que estava tudo bem, porque estaria mentindo, e eu nunca mentiria para o meu melhor amigo.


― Ah... ― Respondi, com os olhos cheios de lágrimas
― Foi a Lea não é ? ― Matt advinhou, como se soubesse a muito tempo
― Não é ela, sou eu.. Não, é ela mesmo, eu não sei o que fazer ― Respondi com sinceridade
― Quer falar sobre isso comigo Jimmy ? ― Pergunta Matt
― De verdade, agora não... preciso desligar, até mais cara, um abraço – Terminei com a conversa, mesmo sabendo que não tinha nada para fazer.

Desliguei o Telefone antes mesmo de ele dizer nada, e fui em direção a janela, e fiquei observando as ruas, as casas, e todo o movimento por um bom tempo.

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