Naquele beijo lento e prazeroso, fui colocando a mão na cintura de Lea, envolvendo-a lentamente num abraço leve e solto, sentindo sua respiração quente na minha. Já tendo Lea sob meu controle, vou agarrando-a e a puxando para mais próxima de mim, sentindo seu corpo totalmente grudado no meu, enquanto vou intensificando o beijo, movimentando mais rapidamente minha língua na de Lea.
Senti algo por dentro de minha calça crescer e vi que aquilo não era normal, também não era normal o estremecer de meu corpo conforme meu pênis ficava ereto. Tentei não demonstrar que aquilo acontecia comigo, mas senti crescer cada vez mais e isso me assustava, então recuei, parando ao mesmo tempo em que Lea parava, dando uma leve afastada. Olhei-a com um sorrisinho de desculpas, enquanto ela sorria nervosa e tímida para mim, aquilo me deixava muito feliz. Voltei a beijá-la após breves segundos de olhares indecisos, e na volta deste, percebi que as mãos já não sabiam onde tocavam, senti minha mão deslizar suavemente pelo corpo de Lea, enquanto esta mantinha as mãos em meu peitoral, alisando-o com delicadeza. Senti-me mais livre para acariciar o corpo de Lea, passando a mão até por lugares que eu não devia, mas no momento não me importava e nem ao menos pensava onde minha mão passava, somente curtia aquele momento de liberação com Lea.
Meu corpo começava a estremecer numa força inigualável, senti uma onda de excitação percorrer cada membro de meu corpo, com a velocidade que meu sangue circulava, senti que aquilo me agradava e me fazia relaxar mais, fui empurrando o corpo de Lea com leveza, conduzindo-a para deitar-se no banco, acariciando seu corpo com mais intensidade e força, senti ela então puxar minha blusa e me fazer cair por cima dela, sem parar de me beijar por nenhum segundo. Passei a mão por sua perna, alisando-a com mais força, sentindo Lea colocar suas mãos em minhas costas, arranhando e puxando a mesma, me fazendo soltar um leve suspiro de dor, ao mesmo tempo em que passava a beijar o pescoço de Lea. Ouvi Lea gemer de leve em meu ouvido, me fazendo ficar em êxtase total, a senti colocar suas mãos por dentro de minha camisa, me alisando com mais força, passando sua unha por entre minhas costas, me arranhando, então fui passando a mão para a barra de seu vestido, começando a levantá-lo, porém, sou impedido por Lea, que me empurra com um pouco de força, falando por entre a respiração ofegante.
― Espere Jimmy, ééé... Aqui não.
― Es-está certo. ― Respondi tentando manter a voz tranqüila.
Levantei-me e olhei Lea, que se endireitava, fiquei olhando para os lados, procurando me acalmar e acabar com a excitação que percorria meu corpo como se fosse meu sangue. Olhando para um lado e para o outro, avistei algo que chamou a minha atenção, no fim daquela rua, onde não se via quase nada, consegui enxergar um casebre, quase caindo aos pedaços, onde se instalava uma placa no gramado que dizia: “Não entre, perigo”.
Olhando curioso para o casebre, vi que estava abandonado, a porta estava entreaberta e o gramado mal cuidado. Então, tomado da decisão, disse para Lea, ainda olhando para o casebre.
― E se fosse ali? ― Apontei para o casebre, sem voltar o olhar para Lea, perguntei-me por que, provavelmente por vergonha.
― Bem, num sei, ali está falando que é perigoso... ― Ela disse em tom indeciso, olhando para o local com curiosidade. Depois respondeu firme e alegre. ― Mas tanto faz, afinal, eu adoro perigo.
Senti-a se levantando e pegando em minha mão, então me desloquei do meu lugar, partindo para o casebre. Olhei para Lea e percebi que ela estava muito grudada comigo, então sorri para ela e depois lhe beijei os lábios com leveza, tomando cuidado para não machucá-la de alguma forma.
Fui chegando ao casebre junto de Lea e percebi que havia uma cerca de arame farpado que envolvia o local, protegendo contra ladrões e pichadores. Fui olhando atento, procurando ali uma brecha que poderia me fazer passar com Lea, fiquei ali por procurar, até que encontrei uma pequena brecha aberta incorretamente, me dando o espaço suficiente para entrar e trazer Lea junto de mim.
― Lea, aqui. ― Disse para ela entre sussurros, acenando para ela de longe.
― Será que conseguimos passar aí Jimmy? ― Perguntou Lea ao ver a entrada irregular.
― Claro, não é tão pequena assim. Vá primeiro.
Conduzi Lea com cuidado, protegendo-a dos arames, para que não se cortasse. Depois que ela entrou, passei por ali rapidamente, sem me preocupar com tais cuidados.
Ao passar pela brecha, me vi de frente com Lea, que me surpreendeu com um novo beijo empolgado e intenso, então já a levei para dentro do casebre, abrindo escandalosamente a porta, depois a fechando no mesmo ritmo.
Fui caminhando pelos corredores estreitos, sentindo Lea beijar lentamente meu pescoço, vi por entre portas uma sala abandonada, que tinha somente um sofá velho e com aparência desconfortável.
Empurrei levemente Lea para dentro, beijando-a com intensidade, passando a mão por seu corpo com vontade. Logo que adentro a sala com Lea, vou levando-a na direção do sofá, deitando-a no mesmo enquanto me deito com ela.
Tendo Lea sob meu domínio, vou passando a mão por seu corpo, acariciando seus seios com cuidado e leveza, sentindo novamente meu pênis ficar ereto, diante da excitação que sentia. Passando a mão pelos seios de Lea, sentia-a acariciar meu pênis com mais cuidado que eu, passando suavemente a mão pelo mesmo, sem parar o beijo intenso. Senti-me indeciso sobre meus próximos passos, sabia que era tudo muito novo para mim, mas com Lea parecia tão fácil, como se tivéssemos feito isso durante muito tempo. Continuei alisando seus seios, até que desci e fui em direção da barra do vestido, puxando o para cima, sem muitas delongas, o tirei e joguei para longe, deixando Lea quase despida. Senti Lea abrir o botão e o abaixar o zíper de minha calça, então a ajudei a tirar minha calça, sentindo minhas mãos tremer enquanto fazia isso.
Passei as mãos pelo rosto de Lea, voltando a beijar a mesma, comecei a beijar seu pescoço, dando várias mordidinhas, ao mesmo tempo em que passava as mãos pelo seu corpo, alisando o mesmo e ouvindo os gemidos suaves e prazerosos de Lea, fazendo-me ficar mais excitado.
Fazendo aquilo, senti Lea tirar minha blusa e depois minha camisa, assim, senti a mesma passar suas mãos pelo meu peitoral, me arranhando com carinho e cautela, sorrindo ao me olhar nos olhos. Comecei a retirar o sutiã de Lea e assim desci até os seios da mesma, beijando-os e acariciando com a boca, sentindo Lea estremecer e gemer diante de minhas ações. Senti as mãos de Lea dentro de minha cueca, passando a mão por sobre meu pênis, o acariciando com total liberdade. Tendo certo controle sobre o momento, iniciei algo que eu não sabia se era certo, passei então a mão por sobre a calcinha de Lea, alisando sua vagina com cuidado e delicadeza, ouvindo Lea gemer com mais força e um pouco mais alto. Passando a mão por ali, volto a beijar os lábios delicados de Lea, ofegante o bastante para deixar aquele beijo durar um tempo suficiente.
Sinto Lea começar a abaixar minha cueca, tirando a mesma numa velocidade desesperada, me despindo por completo, então faço o mesmo movimento, retirando a calcinha dela, jogando para um lado que eu não sabia qual era. Ficando despido diante de Lea, sinto os pelos de meu corpo se eriçar de vergonha, mas ao mesmo tempo senti a excitação aumentar enquanto alisava a vagina de Lea, a senti passar a mão e segurar meu pênis com firmeza, me deixando mais excitado que o possível. Com meu corpo colado ao de Lea, vou penetrando com certa cautela meu pênis em sua vagina, porém, ao que começo a tal penetração, ouço um leve grito agudo saindo dos lábios de Lea, me fazendo recuar.
Olhei para Lea com indecisão, vendo sua expressão, que pedia para eu continuar, então voltei para o mesmo movimento que antes, começando a penetrar meu pênis em sua vagina, com mais cautela, ouvindo seu gemido prazeroso, enquanto eu ia sentindo o gosto de transar pela primeira vez.
Após o longo tempo em que ficara fazendo amor com Lea, senti meu corpo estremecer e como uma onda de eletricidade, me deixar fraco, era o sinal que eu precisava para parar com aquilo. Desgrudei-me lentamente de Lea e percebi que uma gosma branca saía de meu pênis, o que me deixou um pouco apreensivo, será que havia dado alguma coisa errado? Fiquei olhando por um tempo, sem saber o que fazer.
Passados pouco tempo, me deparei com Lea sobre meu corpo, acariciando e passando a unha levemente sobre meu peitoral, senti um arrepio leve por sobre minha pele, senti que era muito bom tudo aquilo, ainda mais sabendo que era com Lea.
Fiquei olhando para o teto do casebre durante tudo aquilo, meus pensamentos voando para um lugar onde só Lea e eu ficaríamos, para sempre. Ao voltar para o mundo real, deparei-me com Lea olhando-me curiosa, esperando algo vindo de mim, então lhe dei um beijo nos lábios e falei, em tom apaixonado.
― Talvez seja melhor irmos, já está ficando tarde.
― É. Meus pais já devem estar loucos. ― Respondeu Lea em tom delicado
Senti Lea se erguer, então me sentei no sofá, olhando o corpo perfeito de Lea, que pegava suas vestes com delicadeza, depois, a vi jogar minhas roupas sobre mim, ao mesmo tempo em que colocava as dela. Vesti-me e ergui-me, abraçando Lea com firmeza, sentindo que naquele momento, ela era minha, só minha.
Saímos do casebre e caminhamos pelas ruas, indo na direção da casa de Lea, olhei para um relógio numa igreja que apontava exatamente 22h18min, percebi que o tempo de Lea na rua já estava expirado e que precisávamos voltar logo. Apressei-me no passo junto de Lea, mantendo o controle da respiração, e ao chegar à Rua de Lea, envolvi-a num abraço e caminhei mais tranquilamente, tendo novamente domínio sobre tal garota.
Ficamos de frente um para o outro enquanto ela se posicionava na porta de sua casa, olhamos um para o outro e admiramos o olhar, tomei uma breve decisão e lhe beijei mais uma vez os lábios, colocando as mãos em sua cintura, com sutileza e carinho. Senti Lea me empurrar com fraqueza nas mãos, me fazendo recuar enquanto olhava para ela, logo ela se aproximou de meu rosto e ao chegar aos meus ouvidos, falou, em tom apaixonado.
― Eu te amo Jimmy Sullivan.
― Eu também te amo. ― Disse em resposta, voltando a olhar para seus olhos, sorrindo delicadamente.
Vi Lea sorrir de um jeito perfeito e adentrar a casa, ainda tendo espaço para me dar um breve aceno com a mão, fechando a porta logo após. Virei-me e parti para minha casa, sabendo que dali em diante, nada, absolutamente nada seria o mesmo, afinal, Lea era minha e ninguém mudaria isso.
essa história é FICTICIA ! baseada em alguns fatos reais e em minha personalidade
sábado, dezembro 4
4. Capítulo - A primeira vez, parte 1.
Mais um dia ensolarado, eu acordei sorrindo para o mundo, afinal, sabia que estava diante da vida que queria. Longe das escolas e de qualquer coisa que não se relacionasse a música, percebia cada vez mais que minha função no mundo era ser baterista, tocar e fazer sucesso. Levantei-me de minha cama e fui ao banheiro, escovei os dentes e fiquei me olhando no espelho, sorrindo para mim mesmo. Já passara duas semanas que eu estava fora da escola e me sentia livre, de um jeito em que eu nunca me senti. Caminhei pelo meu quarto, à procura de minhas baquetas novas, enquanto pensava em ligar para Lea, com quem eu não falava a um tempo curto. Sentia saudades de Lea e precisava conversar com ela, precisava olhar em seus olhos e sentir o calor dos mesmos me preencher, precisava tocar em sua pele e ver que ela era real. Segurei firmemente minhas baquetas pretas e olhei pela janela, vi o sol brilhar alegremente, me fazendo sorrir abobalhado, voltei a olhar para meu quarto e olhei para o telefone que estava em minha mesa de estudos, ou agora de coisas inutilizáveis, peguei-o com firmeza e disquei o número de Lea, sentindo meus dedos tremer enquanto tocavam as teclas. Fiquei esperando que ela atendesse, enquanto olhava de novo para o sol e para a rua ainda vazia, por fim, quando eu desisti daquela ligação, uma voz suave e um pouco alegre falou.
― Jimmy? Oi.
Sorri quieto enquanto sua voz ecoava dentro de minha cabeça, me fazendo ficar meio nauseado.
― Ah, olá Lea. Como vai?
― Estou bem, e você, como está?
― Hum... Também estou bem. ― Fiquei calado após isso, ouvindo a respiração suave de Lea pelo telefone. Por fim, falei, com a voz meio fraca. ― É-é... Lea, bem... Quer sair comigo?
Senti sua respiração ofegar e ela falou com a mesma fraqueza que eu.
― Que-quero sim, Ji-Jimmy.
― Então, que tal eu te pegar aí na sua casa mais tarde?
― 18h tudo bem?
― Si-sim...
― Hãããn, pra onde vamos? ― Perguntou Lea agora com a voz mais firme e mais alta.
― Éé... Espera, vou te fazer uma surpresa. ― Sorri para mim mesmo com aquilo.
― Ah, então tudo bem. Vejo-te às 18h ta?
― Sim, até mais.
Desliguei o telefone.
Fiquei olhando para o chão por alguns minutos, um pouco desnorteado. Era meio novo para mim, o meu primeiro encontro, e com Lea. Eu queria muito ela e precisava que aquele encontro desse certo.
Eram 17h em ponto e eu acabara de me trocar, vestia uma camisa preta com o logo de uma marca conhecida, estava com minha calça jeans de cor preto desbotado e um tênis branco. Meu cabelo normalmente penteado com a franja masculina ficava perto dos meus olhos, então me olhei no espelho, aprovando a mim mesmo o look. Desci correndo as escadas e fui para a cozinha, ficando de frente para minha mãe. Ela se virou lentamente para me analisar e ficou com uma cara que eu desconhecia. Ela me olhou mais de perto e parou na minha frente, depois falou.
― Espere, precisa de um toque a mais.
Minha mãe saiu correndo antes mesmo de eu pensar em falar algo. Passados alguns minutos e ela desce da escada, trazendo junto dela uma blusa de manga curta e botão, logo a joga para mim e me fala, em tom definitivo.
― Vista isso, vai dar um impacto melhor na roupa.
Olhei-a com cara de curioso, sem saber o que fazer. Ao olhar pra mim, minha mãe responde em tom de raiva.
― Você quer impressionar a garota? Comece pelas roupas.
― Tudo bem, tudo bem, eu visto.
Coloquei a blusa e a olhei.
― Agora está legal.
Lancei um breve sorriso para ela, que retribuiu com um sorriso aberto e largo. Virei-me e fui direto para a porta, abrindo, senti um puxão em meu ombro.
― Não vai me dar um beijo de despedida?
― Mãe, eu estou indo pro meu primeiro encontro, você acha que eu vou lhe dar um beijo de despedida?
― Você deve.
― Ah tudo bem, que seja.
Beijei-lhe a bochecha e parti para fora, enquanto a voz de minha mãe dizia.
― Boa sorte querido, que dê tudo certo.
Ao me aproximar da casa de Lea, senti um frio em minha barriga que fez meu corpo estremecer, por fim parei diante da porta da casa de Lea e respirei fundo, sentia como se fosse cair a qualquer momento, eu suava muito e me senti pálido e fraco, realmente eu estava nervoso. Fiquei ali por alguns segundos e depois bati na porta algumas poucas vezes, mas nem precisou de muito tempo e Lea saiu... Meu Deus tem alguma garota que seja mais perfeita que ela?
Olhei-a de cima a baixo e analisei-a com delicadeza, abri ligeiramente a boca ao ver todo o traje que Lea vestia. Aquele vestido até a altura do joelho de cor rosa claro, o sapatinho branco e o cabelo com a franja presa me fez delirar, olhei-a mais algumas vezes e parei em seu rosto curioso e delicado, ela me olhava com o olhar brilhante e radiante, fiquei sem palavras, até que Lea tomou partida.
― Vamos?
― Hããn, sim, vamos. ― Falei um pouco desesperado.
Peguei sua mão com cuidado, segurei-a na minha e comecei a caminhar. Ainda sentia minhas pernas tremer e sabia que poderia desabar a qualquer momento, então tentei colocar força no passo. Lea me pegou de surpresa após alguns minutos com uma pergunta que eu mesmo estava fazendo para mim.
― Jimmy, para onde estamos indo?
― Bem, ééé... ― Pensei por alguns segundos, torcendo para ela não perceber que eu estava planejando aquilo agora. ― Vamos para... Ah, é um pequeno plano, quando você chegar vai saber.
Dali em diante, o silêncio pairou sobre nós todos, chegou até a ficar irritante ver aquela garota sensível e linda quieta, era quieta demais para o meu gosto, então tentei arranjar assunto
― Faz um bom tempo que não nos vemos não é?
― É, eu... Bem, estava com saudade. ― Respondeu ela enquanto abaixava a cabeça, envergonhada.
― Bem, eu também, gosto de ficar perto de você. ― Respondi, sorrindo gentilmente.
Passaram-se mais alguns minutos enquanto eu ia para a travessa de lugar algum com nenhum lugar, pensando somente aonde eu levaria Lea. Andando pelas ruas, apenas olhando para restaurantes e fast-food. Cheguei a uma rua que me deu a solução, ali, no fim da rua, uma grande sorveteria, com algumas poucas pessoas, tinha cara de ser legal, então falei para Lea.
― Chegamos...
― Hããn, onde estamos?
― Sinceramente... Eu não sei. Desculpe Lea, foi tudo muito corrido, nem tive tempo de pensar em algum lugar para irmos, mas, bem, desculpe, eu...
― Hey, tudo bem, o importante não é o lugar e sim a presença. Já que me trouxe aqui, vamos tomar um sorvete.
― Ah, tudo bem.
Enfim, compramos o sorvete e sentamos numa mesa para duas pessoas. Começamos a comer as grandes bolas de sorvete misturadas, então me senti mais calmo para puxar algum assunto.
.
― Lea... O que tem feito ultimamente? Afinal, parece que não estamos atualizados sobre a vida um do outro não é?
― Ah bem, eu... Tive estudado. Minha vida é muito chata, você sabe disso Jimmy, foi ótimo você ter me chamado para sair, eu estava pra enlouquecer lá em casa, livros e livros todo o dia, isso é horrível. Estou virando uma máquina, eu sei disso. Mas e você, o que tem feito além de tocar bateria?
Sorrio ligeiramente enquanto olhava para Lea, interessado em cada palavra que ela dizia.
― Eu, além de tocar bateria? Tenho dormido. Muito interessante minha vida. Tocar bateria e dormir, coisas que eu adoro fazer. ― Sorri com mais vontade ao ver a felicidade de Lea ouvindo-me falar aquilo.
Passados vários minutos de conversa e olhares, por fim, os sorvetes acabaram e o clima de amizade foi sendo passado para um clima mais romântico. Levantamo-nos e saímos da sorveteria. Andando novamente pelas ruas, agora com as mãos entrelaçadas, conversávamos sobre coisas mais sérias, como namoro, escola, pais e até mesmo... Sexo.
As conversas foram ficando quentes e cada vez mais intima, senti certo prazer em falar com Lea sobre assuntos que não conseguia falar com mais ninguém, era tão libertador e bom.
Fomos de encontro a um parque, que no momento estava totalmente vazio. Senti um leve arrepio enquanto andava pelo parque com Lea, agora em silêncio. Sentamos em um banco perto de algumas árvores, então ficamos nos olhando, ainda em silêncio, senti sua mão quente na minha, fiquei alisando-a carinhosa e tranquilamente, sentindo a vida que estava ali. Comecei a me aproximar levemente, com sutileza, enquanto olhava nos olhos de Lea, que neste momento sorria de um jeito simples e cativante.
Toquei seu braço e depois seu rosto, colocando a mão em seu cabelo com certa apreensão, vendo cada reação de Lea, depois, fui me aproximando mais, olhando para o olhar de Lea e para a boca da mesma, admirando aquela feição perfeita. Senti meu nariz roçar o nariz de Lea, então sorri de leve. Continuei com as carícias no cabelo de Lea, enquanto beijava o canto de seus lábios, sentindo sua pele macia e lisa, então por fim, toquei seus lábios por completo, com cautela, iniciando o meu primeiro beijo.
― Jimmy? Oi.
Sorri quieto enquanto sua voz ecoava dentro de minha cabeça, me fazendo ficar meio nauseado.
― Ah, olá Lea. Como vai?
― Estou bem, e você, como está?
― Hum... Também estou bem. ― Fiquei calado após isso, ouvindo a respiração suave de Lea pelo telefone. Por fim, falei, com a voz meio fraca. ― É-é... Lea, bem... Quer sair comigo?
Senti sua respiração ofegar e ela falou com a mesma fraqueza que eu.
― Que-quero sim, Ji-Jimmy.
― Então, que tal eu te pegar aí na sua casa mais tarde?
― 18h tudo bem?
― Si-sim...
― Hãããn, pra onde vamos? ― Perguntou Lea agora com a voz mais firme e mais alta.
― Éé... Espera, vou te fazer uma surpresa. ― Sorri para mim mesmo com aquilo.
― Ah, então tudo bem. Vejo-te às 18h ta?
― Sim, até mais.
Desliguei o telefone.
Fiquei olhando para o chão por alguns minutos, um pouco desnorteado. Era meio novo para mim, o meu primeiro encontro, e com Lea. Eu queria muito ela e precisava que aquele encontro desse certo.
Eram 17h em ponto e eu acabara de me trocar, vestia uma camisa preta com o logo de uma marca conhecida, estava com minha calça jeans de cor preto desbotado e um tênis branco. Meu cabelo normalmente penteado com a franja masculina ficava perto dos meus olhos, então me olhei no espelho, aprovando a mim mesmo o look. Desci correndo as escadas e fui para a cozinha, ficando de frente para minha mãe. Ela se virou lentamente para me analisar e ficou com uma cara que eu desconhecia. Ela me olhou mais de perto e parou na minha frente, depois falou.
― Espere, precisa de um toque a mais.
Minha mãe saiu correndo antes mesmo de eu pensar em falar algo. Passados alguns minutos e ela desce da escada, trazendo junto dela uma blusa de manga curta e botão, logo a joga para mim e me fala, em tom definitivo.
― Vista isso, vai dar um impacto melhor na roupa.
Olhei-a com cara de curioso, sem saber o que fazer. Ao olhar pra mim, minha mãe responde em tom de raiva.
― Você quer impressionar a garota? Comece pelas roupas.
― Tudo bem, tudo bem, eu visto.
Coloquei a blusa e a olhei.
― Agora está legal.
Lancei um breve sorriso para ela, que retribuiu com um sorriso aberto e largo. Virei-me e fui direto para a porta, abrindo, senti um puxão em meu ombro.
― Não vai me dar um beijo de despedida?
― Mãe, eu estou indo pro meu primeiro encontro, você acha que eu vou lhe dar um beijo de despedida?
― Você deve.
― Ah tudo bem, que seja.
Beijei-lhe a bochecha e parti para fora, enquanto a voz de minha mãe dizia.
― Boa sorte querido, que dê tudo certo.
Ao me aproximar da casa de Lea, senti um frio em minha barriga que fez meu corpo estremecer, por fim parei diante da porta da casa de Lea e respirei fundo, sentia como se fosse cair a qualquer momento, eu suava muito e me senti pálido e fraco, realmente eu estava nervoso. Fiquei ali por alguns segundos e depois bati na porta algumas poucas vezes, mas nem precisou de muito tempo e Lea saiu... Meu Deus tem alguma garota que seja mais perfeita que ela?
Olhei-a de cima a baixo e analisei-a com delicadeza, abri ligeiramente a boca ao ver todo o traje que Lea vestia. Aquele vestido até a altura do joelho de cor rosa claro, o sapatinho branco e o cabelo com a franja presa me fez delirar, olhei-a mais algumas vezes e parei em seu rosto curioso e delicado, ela me olhava com o olhar brilhante e radiante, fiquei sem palavras, até que Lea tomou partida.
― Vamos?
― Hããn, sim, vamos. ― Falei um pouco desesperado.
Peguei sua mão com cuidado, segurei-a na minha e comecei a caminhar. Ainda sentia minhas pernas tremer e sabia que poderia desabar a qualquer momento, então tentei colocar força no passo. Lea me pegou de surpresa após alguns minutos com uma pergunta que eu mesmo estava fazendo para mim.
― Jimmy, para onde estamos indo?
― Bem, ééé... ― Pensei por alguns segundos, torcendo para ela não perceber que eu estava planejando aquilo agora. ― Vamos para... Ah, é um pequeno plano, quando você chegar vai saber.
Dali em diante, o silêncio pairou sobre nós todos, chegou até a ficar irritante ver aquela garota sensível e linda quieta, era quieta demais para o meu gosto, então tentei arranjar assunto
― Faz um bom tempo que não nos vemos não é?
― É, eu... Bem, estava com saudade. ― Respondeu ela enquanto abaixava a cabeça, envergonhada.
― Bem, eu também, gosto de ficar perto de você. ― Respondi, sorrindo gentilmente.
Passaram-se mais alguns minutos enquanto eu ia para a travessa de lugar algum com nenhum lugar, pensando somente aonde eu levaria Lea. Andando pelas ruas, apenas olhando para restaurantes e fast-food. Cheguei a uma rua que me deu a solução, ali, no fim da rua, uma grande sorveteria, com algumas poucas pessoas, tinha cara de ser legal, então falei para Lea.
― Chegamos...
― Hããn, onde estamos?
― Sinceramente... Eu não sei. Desculpe Lea, foi tudo muito corrido, nem tive tempo de pensar em algum lugar para irmos, mas, bem, desculpe, eu...
― Hey, tudo bem, o importante não é o lugar e sim a presença. Já que me trouxe aqui, vamos tomar um sorvete.
― Ah, tudo bem.
Enfim, compramos o sorvete e sentamos numa mesa para duas pessoas. Começamos a comer as grandes bolas de sorvete misturadas, então me senti mais calmo para puxar algum assunto.
.
― Lea... O que tem feito ultimamente? Afinal, parece que não estamos atualizados sobre a vida um do outro não é?
― Ah bem, eu... Tive estudado. Minha vida é muito chata, você sabe disso Jimmy, foi ótimo você ter me chamado para sair, eu estava pra enlouquecer lá em casa, livros e livros todo o dia, isso é horrível. Estou virando uma máquina, eu sei disso. Mas e você, o que tem feito além de tocar bateria?
Sorrio ligeiramente enquanto olhava para Lea, interessado em cada palavra que ela dizia.
― Eu, além de tocar bateria? Tenho dormido. Muito interessante minha vida. Tocar bateria e dormir, coisas que eu adoro fazer. ― Sorri com mais vontade ao ver a felicidade de Lea ouvindo-me falar aquilo.
Passados vários minutos de conversa e olhares, por fim, os sorvetes acabaram e o clima de amizade foi sendo passado para um clima mais romântico. Levantamo-nos e saímos da sorveteria. Andando novamente pelas ruas, agora com as mãos entrelaçadas, conversávamos sobre coisas mais sérias, como namoro, escola, pais e até mesmo... Sexo.
As conversas foram ficando quentes e cada vez mais intima, senti certo prazer em falar com Lea sobre assuntos que não conseguia falar com mais ninguém, era tão libertador e bom.
Fomos de encontro a um parque, que no momento estava totalmente vazio. Senti um leve arrepio enquanto andava pelo parque com Lea, agora em silêncio. Sentamos em um banco perto de algumas árvores, então ficamos nos olhando, ainda em silêncio, senti sua mão quente na minha, fiquei alisando-a carinhosa e tranquilamente, sentindo a vida que estava ali. Comecei a me aproximar levemente, com sutileza, enquanto olhava nos olhos de Lea, que neste momento sorria de um jeito simples e cativante.
Toquei seu braço e depois seu rosto, colocando a mão em seu cabelo com certa apreensão, vendo cada reação de Lea, depois, fui me aproximando mais, olhando para o olhar de Lea e para a boca da mesma, admirando aquela feição perfeita. Senti meu nariz roçar o nariz de Lea, então sorri de leve. Continuei com as carícias no cabelo de Lea, enquanto beijava o canto de seus lábios, sentindo sua pele macia e lisa, então por fim, toquei seus lábios por completo, com cautela, iniciando o meu primeiro beijo.
3. Capítulo – O fim de uma vida chata
Os meses se passaram muito rápido e eu não percebi o que acontecera em minha vida. Fui separado de minha família e meus amigos, afinal, minha expulsão da Huntington Beach High School fora um acontecimento que marcara todos. Colocar fogo na sala de aula fora algo que eu não esperava e que aconteceu por um incidente infeliz. Fui expulso e obrigado a ir para um reformatório, podendo voltar à minha casa apenas nos fins de semana.
As primeiras semanas na minha nova vida fora um pesadelo horrível, eu não tinha mais felicidade, não falava com ninguém, não dormia direito, era um zumbi por completo.
― Perdoe-me meu filho, é preciso. Você sabe que... que... - Minha mãe tentava se explicar enquanto chorava a meus pés. Eu a fitava com a expressão dura. Escutava tudo aquilo, mas meus pensamentos estavam em outros lugares, outros objetivos, em Matt, em Brian, em Lea e principalmente, em minha bateria. Eu estava proibido de tocar bateria ou fazer qualquer ação para me entreter por três meses e isso só ajudava a me deixar mais deprimido.
Eu estava com quinze anos e ainda estava no reformatório, sabia que ficaria até completar minha maioridade. Estava deitado na cama de cima em meu quarto, enquanto via Justin Meacham, meu novo amigo, arrumar o cabelo para o dia longo que teríamos. Eu estava com um novo corte, o cabelo crescido nos olhos e grande atrás, chegando a encostar-se aos ombros, lisos naturais e pretos. Meu olhar havia mudado, provavelmente pelo efeito do lápis preto que os deixava com a aparência morta. Estava acostumado com o dia duro e longo no reformatório, mantendo firmemente o pensamento nos finais de semana, do qual eu poderia reencontrar meus amigos, Lea, Zack e Matt; reencontrar minha família e principalmente, reencontrar aquilo do qual eu mais amava, minha bateria.
Sentei-me em uma das cadeiras na mesa do refeitório, junto com os meus amigos, Justin, Mark e London, ficamos conversando e comendo, falando sobre o que queria fazer quando chegasse o sábado. Fiquei calado por uns segundos, olhando por sobre o ombro de Mark, vendo o pátio vazio, imerso em pensamentos que vinham como imagens em minha cabeça. Fui retirado desses pensamentos por um grupo de garotos que se aproximaram, rodeando a mesa onde estávamos. Eles ficaram por um bom tempo nos observando, até que um garoto moreno, alto e um pouco forte se aproximou de mim e falou, em um tom de desdém.
― Como vai idiota?
Fiquei calado, olhando para Mark, que observava os garotos a minha frente, com os olhos semicerrados, vi também a expressão um tanto medrosa de London, olhando para os lados, por fim, vi Justin, que estava parado, sem expressões significativas na face. Olhei de novo para Mark, ouvindo novamente o garoto falar.
― É impossível crer que você conseguiu ficar por dois anos aqui sem nenhum arranhão, mas bem, o seu dia de sorte, ou azar, chegou. ― Ele se aproximou de meu rosto, senti a respiração ameaçadora vindo até mim, enquanto escutava ele falar em meu ouvido, ainda num tom de desdém. ― Você pode se levantar e se juntar a mim, virar meu aliado, abandonar esses idiotas, fracos e lesados para se juntar a mim, você sabe que teria grandes recompensas aqui se ficar do meu lado... Por outro lado, se você se rebelar, você sabe que...
Eu me ergui em um salto, me virando com certa pressa para olhar nos olhos de Luke, enquanto falava em tom ameaçador.
― O que eu sei? Que você e seus comparsas idiotas irão me dar uma surra se eu não me unir a vocês? Ou talvez vocês saiam chorando, pois não conseguiram se unir ao garoto mais estranho do reformatório... ― O observei com a face enfurecida, parando para respirar fundo e olhar com mais profundidade nos olhos de meu inimigo. Voltei a falar após alguns segundos, com um tom incrédulo. ― Eu realmente não acredito que você seja capaz de me atingir Luke, afinal, você é um imbecil lento e gordo. Você não passa de um idiota filho da puta, tenho certeza que sem seus “guarda-costas” você não é absolutamente nada. NADA! ― Parei e fiquei lhe observando, vendo sua boca tremer de raiva enquanto tentava manter a forma em minha frente.
Ele olhou-me de cima abaixo e deu um passo para trás, falando com uma voz suave só que ao mesmo tempo ameaçadora.
― Eu. Você. No pátio. Hoje. Na hora do intervalo. Só nós dois.
Assenti com a cabeça e peguei minha mochila, passando por entre os garotos que rodeavam a mim, senti meus amigos me seguindo logo atrás.
Ao sair do campo de visão das pessoas, senti Justin me puxar, me virando para ficar de frente com ele.
― Seu idiota, idiota... Como pôde, sabe que irá perder, você sabe disso e ainda assim desafiou-o.
― Cale a boca Justin, eu tenho um plano.
Corri para meu quarto, sendo seguido pelos três que tentava me alcançar. Chegando ao meu quarto, entrei com certa pressa, procurando em minha mala o objeto desejado. Após alguns segundos, retirei uma caixinha preta de dentro da mala, colocando-a na cama. Observei-há por uns instantes, sentindo meus olhos brilharem, pensando como era bom ter Matt como meu amigo.
― O que é isso? ― Perguntou London.
― É simplesmente minha salvação. Matt sabia que eu me meteria em encrenca uma hora ou outra, sabia que eu precisaria disso. ― Retirei o tampo da caixinha, tirando desta uma faca pequena e prateada, do qual reluzia na luz. Sorri para mim mesmo, pensando em Matt, então ouvi Justin falar, em tom de desaprovação.
― Você não pode fazer isso, será expulso... Do reformatório. ― Ele fez uma careta ao pronunciar a última palavra, mostrando como seria estranho ser expulso do inferno.
― Se eu tiver sorte, sim. ― Sorri maliciosamente.
Saímos do quarto e fomos para as duas aulas que teríamos antes do grande acontecimento. Foram as aulas mais rápidas de Gramática e Química que tive em todos os anos. Enfim, o sinal tocou e fomos lentamente até o pátio central, eu senti meus companheiros tensos atrás de mim, sabia que estavam preocupados, mas eu sabia também que tudo estava bem e nada de mal aconteceria.
Ficamos sentados em um banco, calados, apenas esperando o momento em que o reformatório pararia e veria a melhor e maior briga de todos os anos ali. Os minutos se passaram e Luke não aparecera, já estava pensando que ele não apareceria.
― Acho que ele está fugindo, e você Justin? ― Perguntei, olhando com um sorriso nos lábios para meu amigo do lado direito. Ele respondeu.
― Tenho certeza que não, olha lá.
Eu olhei para frente e vi Luke, com mais cinco garotos, o rodeando como seguranças que protegem seu presidente. Levantei-me e fui de encontro para com Luke, o olhando com um sorriso zombeteiro e uma expressão que não o levava a sério, o vendo despachar os capangas e ficar numa posição mais cuidadosa. Ficamos frente a frente, olhando um no olho do outro. Coloquei a mão no bolso onde estava minha arma de vitória e a segurei firme, esperando o momento certo para usá-la contra Luke.
Por fim, Luke se manifestou, erguendo os braços e me dando um grande empurrão, que me fez recuar por alguns passos, me dando mais espaço para realizar alguns movimentos precisos para atacá-lo. Luke correu em minha direção, com o braço erguido, então lançou seu punho contra meu rosto, foi neste momento que eu retirei do bolso a tal faca prateada, girando-a rapidamente nos dedos e a deixando numa posição de ataque, assim passando-a com força e agilidade por sobre a parte debaixo do braço de Luke, o cortando naquela região. O garoto se afastou sangrando.
Vi então seus capangas correndo em minha direção, com olhares compatíveis com os de cães famintos, vindo na maior velocidade que puderam, senti também três vultos passando por trás de mim e correndo na direção dos garotos, me protegendo do ataque destes. Era tudo tão rápido e eu estava paralisado ali, vendo a guerra que estava se formando. Justin estava sendo atacado por dois garotos, enquanto London atacava de um jeito brutal outro garoto que estava caído, por fim, vi Mark, lançando-se como um animal protegendo seu filhote, atacar um último garoto, lhe tirando sangue do nariz.
Novamente Luke me chamara à atenção, ele correu até a minha direção, me dando novamente a oportunidade de lhe ferir com a faca. E eu o fiz. Corri em sua direção, com a faca na mesma posição que antes, então logo nos aproximamos, e nisso senti um choque em meu rosto, me fazendo cair com brutalidade sobre o chão.
Já caído, senti minha mão se abrir e a faca ser retirada da mesma, fiquei ali no chão, olhando para o céu, meio atordoado pelo soco de Luke. Percebi que todos os outros que estavam envolvidos na briga pararam e olharam para um vulto preto atrás de mim. Este era muito alto, tinha talvez uns dois metros de altura, o que me deixou um pouco temeroso. Fui obrigado a me sentar para poder me recuperar do golpe sofrido e ouvi uma voz chamar meu nome, esta voz era conhecida por mim, era alguém que me fazia temer somente por ouvir seu nome.
― Sr. Sullivan, levante-se.
Fiquei paralisado de medo por alguns segundos, até que me ergui, meio zonzo, me virando para a estátua atrás de mim, o olhando com a expressão indecifrável.
― Quero todos vocês na minha sala, AGORA! ― O diretor Schneider cuspiu as palavras em meio à fúria de seus olhos.
Dentro da sala, fique sentado em uma das cadeiras, olhando para o diretor com o rosto sério e tenso, vendo também Luke, agora com a parte cortada do braço enfaixado, chorar de medo, diante de várias acusações feitas pelo diretor. Eu não entendia bem o que o diretor falava, mas algo em suas palavras me chamou a atenção, aquilo que poderia ser bom, ou não, para mim.
― Irei chamar o pai de todos vocês e juntos conversaremos sobre o incidente.
Logo após aquilo, fui para meu quarto junto de Justin, Mark e London. Fomos para nossos quartos e eu me deitei em minha cama, vendo Justin olhar no espelho enquanto chorava de arrependimento.
― Eu sou um idiota, por que fui me meter nessa, isso era entre você e o Luke, eu não... Eu sou um idiota, idiota. ― Ele falava com tanto ódio de si mesmo que fui obrigado a intervir, lhe dando um apoio moral.
― Você não é idiota Justin, eu agradeço muito a você por ter me ajudado, realmente, se não fosse vocês três, não sei o que seria de mim.
― Mas eu... ééé... Eu não devia, serei expulso de tudo que faço nos fins de semana, minha vida está acabada cara, entendeu a gravidade disso? ― Ele continuava a chorar diante do espelho.
― Ah cara, mas... Mas... É você está mesmo ferrado. ― Proclamei por fim.
Virei-me e fiquei quieto em minha cama, ouvindo o choramingo de Justin, até que ele se aquietou. Por fim adormeci.
Quando acordei, eram 08h30min da manhã, eu me sentei em minha cama e olhei para o nada, sabia que ali estava o dia do julgamento final. Saí de meu quarto totalmente desarrumado, andei por entre os corredores, sozinho, sem nada. Entrei na sala de Filosofia e me sentei na cadeira ao lado de Mark, que estava quieto e paralisado, observei que Justin, London, Luke e todos os outros garotos que eu não sabia o nome e estavam envolvidos na briga também tinham a mesma postura. A aula se começou e terminou, para nós. O diretor entrou na sala com certa calma no andar, então chamou com a voz firme e dura.
― Sr. Sullivan, Meacham, Sonny, Carlson, Kein, Ian, Listen, Orton, Brown e Ortiz. Venham comigo, por favor!
Todos nos levantamos na mesma hora e seguimos o diretor até sua sala, aonde encontramos nossos pais. O senhor Schneider chamou primeiro Kevin Listen e em poucos minutos ele saiu, chorando, com seus pais enfurecidos ao lado dele. Logo após foram Johnny Ian, James Orton, Caio Ortiz, Milton Brown, London Sonny, Mark Carlson e Justin Meacham. Todos eles ficaram menos de 5 minutos na sala com o diretor. Até que chegou a vez de Luke Kein. Ouvi vários gritos e xingamentos vindo dos pais do garoto, meus pais estavam calados, olhando um para o outro, pois não sabiam o que fazer. Ao fim da discussão com Luke, o diretor Schneider me chamou, com a voz dura e fria. Eu entrei.
Sentei-me na cadeira do meio, com meus pais ao lado. Então a minha sentença começou a ser ditada.
― Senhor e senhora Sullivan, sinto-lhes dizer que seu filho ontem se envolveu numa briga terrível que envolveu todos os garotos que estavam aqui. Seu filho cometeu infrações de nível gravíssimo, como a ação de cortar Luke Kein com uma faca que tinha. Outra infração foi o objeto que possuía, sendo este proibido pelo reformatório. ― Senti meus pais estremecerem em suas cadeiras, ouvindo aquilo que ouviam. O diretor continuou. ― Como esse tipo de infração as regras não pode ser tolerado, serei breve... Os nove garotos que passaram aqui foram expulsos, pois a regra é clara e não pode ter objeções, assim como não terá objeção com seu filho James Sullivan, assim eu sinto lhe dizer que seu filho está convidado a se retirar desse reformatório.
Minha mãe abaixou a cabeça e meu pai acenou positivamente também com a cabeça. Eu me encolhi em minha cadeira, mas meu pai me puxou pelo braço, me levantando a força. Saímos daquela sala sem dizer mais nada.
Fomos até meu quarto para recolher meus pertences, ainda em silêncio. Fomos bem rápidos e partimos para o carro, saindo dali para nunca mais voltar. Foi quando começaram a gritar, vieram também os xingamentos, os sinais de fúria partindo de minha mãe. Meu pai continuou em silêncio, até que ele perguntou em um tom sincero de calma.
― Jimmy, você decide o que quer fazer daqui para frente, não irei contradizer com sua decisão, você quer ir para outra escola?
― Pai... É, eu... Eu serei sincero, não. Sei que meu caminho não é este, meu sonho não está em escola nenhuma, eu não preciso disso aqui, então... Não, me desculpe.
Fiquei olhando meu pai com medo de sua reação, vendo também minha mãe, que agora se encolhia no banco. Meu pai ficou pensativo por uns minutos, até que, para minha surpresa, sorriu. Seu sorriso era um pouco forçado, mas ainda assim me fez acompanhar ele. Ele disse com um tom caloroso para mim.
― Meu filho, eu sempre soube que seu caminho não era este, mas era meu dever de pai te fazer seguir o caminho corretamente proposto a você. Eu segui que você quer seguir a música e concordo com você, siga o seu caminho. Já que a sua decisão é essa, não irei lhe matricular em mais nenhuma escola, somente se você me pedir, está certo?
― Obrigado pai. ― Disse em tom de desculpa.
Senti um alívio em meu corpo e então relaxei, sabia que agora curtiria a vida como deveria.
As primeiras semanas na minha nova vida fora um pesadelo horrível, eu não tinha mais felicidade, não falava com ninguém, não dormia direito, era um zumbi por completo.
― Perdoe-me meu filho, é preciso. Você sabe que... que... - Minha mãe tentava se explicar enquanto chorava a meus pés. Eu a fitava com a expressão dura. Escutava tudo aquilo, mas meus pensamentos estavam em outros lugares, outros objetivos, em Matt, em Brian, em Lea e principalmente, em minha bateria. Eu estava proibido de tocar bateria ou fazer qualquer ação para me entreter por três meses e isso só ajudava a me deixar mais deprimido.
Eu estava com quinze anos e ainda estava no reformatório, sabia que ficaria até completar minha maioridade. Estava deitado na cama de cima em meu quarto, enquanto via Justin Meacham, meu novo amigo, arrumar o cabelo para o dia longo que teríamos. Eu estava com um novo corte, o cabelo crescido nos olhos e grande atrás, chegando a encostar-se aos ombros, lisos naturais e pretos. Meu olhar havia mudado, provavelmente pelo efeito do lápis preto que os deixava com a aparência morta. Estava acostumado com o dia duro e longo no reformatório, mantendo firmemente o pensamento nos finais de semana, do qual eu poderia reencontrar meus amigos, Lea, Zack e Matt; reencontrar minha família e principalmente, reencontrar aquilo do qual eu mais amava, minha bateria.
Sentei-me em uma das cadeiras na mesa do refeitório, junto com os meus amigos, Justin, Mark e London, ficamos conversando e comendo, falando sobre o que queria fazer quando chegasse o sábado. Fiquei calado por uns segundos, olhando por sobre o ombro de Mark, vendo o pátio vazio, imerso em pensamentos que vinham como imagens em minha cabeça. Fui retirado desses pensamentos por um grupo de garotos que se aproximaram, rodeando a mesa onde estávamos. Eles ficaram por um bom tempo nos observando, até que um garoto moreno, alto e um pouco forte se aproximou de mim e falou, em um tom de desdém.
― Como vai idiota?
Fiquei calado, olhando para Mark, que observava os garotos a minha frente, com os olhos semicerrados, vi também a expressão um tanto medrosa de London, olhando para os lados, por fim, vi Justin, que estava parado, sem expressões significativas na face. Olhei de novo para Mark, ouvindo novamente o garoto falar.
― É impossível crer que você conseguiu ficar por dois anos aqui sem nenhum arranhão, mas bem, o seu dia de sorte, ou azar, chegou. ― Ele se aproximou de meu rosto, senti a respiração ameaçadora vindo até mim, enquanto escutava ele falar em meu ouvido, ainda num tom de desdém. ― Você pode se levantar e se juntar a mim, virar meu aliado, abandonar esses idiotas, fracos e lesados para se juntar a mim, você sabe que teria grandes recompensas aqui se ficar do meu lado... Por outro lado, se você se rebelar, você sabe que...
Eu me ergui em um salto, me virando com certa pressa para olhar nos olhos de Luke, enquanto falava em tom ameaçador.
― O que eu sei? Que você e seus comparsas idiotas irão me dar uma surra se eu não me unir a vocês? Ou talvez vocês saiam chorando, pois não conseguiram se unir ao garoto mais estranho do reformatório... ― O observei com a face enfurecida, parando para respirar fundo e olhar com mais profundidade nos olhos de meu inimigo. Voltei a falar após alguns segundos, com um tom incrédulo. ― Eu realmente não acredito que você seja capaz de me atingir Luke, afinal, você é um imbecil lento e gordo. Você não passa de um idiota filho da puta, tenho certeza que sem seus “guarda-costas” você não é absolutamente nada. NADA! ― Parei e fiquei lhe observando, vendo sua boca tremer de raiva enquanto tentava manter a forma em minha frente.
Ele olhou-me de cima abaixo e deu um passo para trás, falando com uma voz suave só que ao mesmo tempo ameaçadora.
― Eu. Você. No pátio. Hoje. Na hora do intervalo. Só nós dois.
Assenti com a cabeça e peguei minha mochila, passando por entre os garotos que rodeavam a mim, senti meus amigos me seguindo logo atrás.
Ao sair do campo de visão das pessoas, senti Justin me puxar, me virando para ficar de frente com ele.
― Seu idiota, idiota... Como pôde, sabe que irá perder, você sabe disso e ainda assim desafiou-o.
― Cale a boca Justin, eu tenho um plano.
Corri para meu quarto, sendo seguido pelos três que tentava me alcançar. Chegando ao meu quarto, entrei com certa pressa, procurando em minha mala o objeto desejado. Após alguns segundos, retirei uma caixinha preta de dentro da mala, colocando-a na cama. Observei-há por uns instantes, sentindo meus olhos brilharem, pensando como era bom ter Matt como meu amigo.
― O que é isso? ― Perguntou London.
― É simplesmente minha salvação. Matt sabia que eu me meteria em encrenca uma hora ou outra, sabia que eu precisaria disso. ― Retirei o tampo da caixinha, tirando desta uma faca pequena e prateada, do qual reluzia na luz. Sorri para mim mesmo, pensando em Matt, então ouvi Justin falar, em tom de desaprovação.
― Você não pode fazer isso, será expulso... Do reformatório. ― Ele fez uma careta ao pronunciar a última palavra, mostrando como seria estranho ser expulso do inferno.
― Se eu tiver sorte, sim. ― Sorri maliciosamente.
Saímos do quarto e fomos para as duas aulas que teríamos antes do grande acontecimento. Foram as aulas mais rápidas de Gramática e Química que tive em todos os anos. Enfim, o sinal tocou e fomos lentamente até o pátio central, eu senti meus companheiros tensos atrás de mim, sabia que estavam preocupados, mas eu sabia também que tudo estava bem e nada de mal aconteceria.
Ficamos sentados em um banco, calados, apenas esperando o momento em que o reformatório pararia e veria a melhor e maior briga de todos os anos ali. Os minutos se passaram e Luke não aparecera, já estava pensando que ele não apareceria.
― Acho que ele está fugindo, e você Justin? ― Perguntei, olhando com um sorriso nos lábios para meu amigo do lado direito. Ele respondeu.
― Tenho certeza que não, olha lá.
Eu olhei para frente e vi Luke, com mais cinco garotos, o rodeando como seguranças que protegem seu presidente. Levantei-me e fui de encontro para com Luke, o olhando com um sorriso zombeteiro e uma expressão que não o levava a sério, o vendo despachar os capangas e ficar numa posição mais cuidadosa. Ficamos frente a frente, olhando um no olho do outro. Coloquei a mão no bolso onde estava minha arma de vitória e a segurei firme, esperando o momento certo para usá-la contra Luke.
Por fim, Luke se manifestou, erguendo os braços e me dando um grande empurrão, que me fez recuar por alguns passos, me dando mais espaço para realizar alguns movimentos precisos para atacá-lo. Luke correu em minha direção, com o braço erguido, então lançou seu punho contra meu rosto, foi neste momento que eu retirei do bolso a tal faca prateada, girando-a rapidamente nos dedos e a deixando numa posição de ataque, assim passando-a com força e agilidade por sobre a parte debaixo do braço de Luke, o cortando naquela região. O garoto se afastou sangrando.
Vi então seus capangas correndo em minha direção, com olhares compatíveis com os de cães famintos, vindo na maior velocidade que puderam, senti também três vultos passando por trás de mim e correndo na direção dos garotos, me protegendo do ataque destes. Era tudo tão rápido e eu estava paralisado ali, vendo a guerra que estava se formando. Justin estava sendo atacado por dois garotos, enquanto London atacava de um jeito brutal outro garoto que estava caído, por fim, vi Mark, lançando-se como um animal protegendo seu filhote, atacar um último garoto, lhe tirando sangue do nariz.
Novamente Luke me chamara à atenção, ele correu até a minha direção, me dando novamente a oportunidade de lhe ferir com a faca. E eu o fiz. Corri em sua direção, com a faca na mesma posição que antes, então logo nos aproximamos, e nisso senti um choque em meu rosto, me fazendo cair com brutalidade sobre o chão.
Já caído, senti minha mão se abrir e a faca ser retirada da mesma, fiquei ali no chão, olhando para o céu, meio atordoado pelo soco de Luke. Percebi que todos os outros que estavam envolvidos na briga pararam e olharam para um vulto preto atrás de mim. Este era muito alto, tinha talvez uns dois metros de altura, o que me deixou um pouco temeroso. Fui obrigado a me sentar para poder me recuperar do golpe sofrido e ouvi uma voz chamar meu nome, esta voz era conhecida por mim, era alguém que me fazia temer somente por ouvir seu nome.
― Sr. Sullivan, levante-se.
Fiquei paralisado de medo por alguns segundos, até que me ergui, meio zonzo, me virando para a estátua atrás de mim, o olhando com a expressão indecifrável.
― Quero todos vocês na minha sala, AGORA! ― O diretor Schneider cuspiu as palavras em meio à fúria de seus olhos.
Dentro da sala, fique sentado em uma das cadeiras, olhando para o diretor com o rosto sério e tenso, vendo também Luke, agora com a parte cortada do braço enfaixado, chorar de medo, diante de várias acusações feitas pelo diretor. Eu não entendia bem o que o diretor falava, mas algo em suas palavras me chamou a atenção, aquilo que poderia ser bom, ou não, para mim.
― Irei chamar o pai de todos vocês e juntos conversaremos sobre o incidente.
Logo após aquilo, fui para meu quarto junto de Justin, Mark e London. Fomos para nossos quartos e eu me deitei em minha cama, vendo Justin olhar no espelho enquanto chorava de arrependimento.
― Eu sou um idiota, por que fui me meter nessa, isso era entre você e o Luke, eu não... Eu sou um idiota, idiota. ― Ele falava com tanto ódio de si mesmo que fui obrigado a intervir, lhe dando um apoio moral.
― Você não é idiota Justin, eu agradeço muito a você por ter me ajudado, realmente, se não fosse vocês três, não sei o que seria de mim.
― Mas eu... ééé... Eu não devia, serei expulso de tudo que faço nos fins de semana, minha vida está acabada cara, entendeu a gravidade disso? ― Ele continuava a chorar diante do espelho.
― Ah cara, mas... Mas... É você está mesmo ferrado. ― Proclamei por fim.
Virei-me e fiquei quieto em minha cama, ouvindo o choramingo de Justin, até que ele se aquietou. Por fim adormeci.
Quando acordei, eram 08h30min da manhã, eu me sentei em minha cama e olhei para o nada, sabia que ali estava o dia do julgamento final. Saí de meu quarto totalmente desarrumado, andei por entre os corredores, sozinho, sem nada. Entrei na sala de Filosofia e me sentei na cadeira ao lado de Mark, que estava quieto e paralisado, observei que Justin, London, Luke e todos os outros garotos que eu não sabia o nome e estavam envolvidos na briga também tinham a mesma postura. A aula se começou e terminou, para nós. O diretor entrou na sala com certa calma no andar, então chamou com a voz firme e dura.
― Sr. Sullivan, Meacham, Sonny, Carlson, Kein, Ian, Listen, Orton, Brown e Ortiz. Venham comigo, por favor!
Todos nos levantamos na mesma hora e seguimos o diretor até sua sala, aonde encontramos nossos pais. O senhor Schneider chamou primeiro Kevin Listen e em poucos minutos ele saiu, chorando, com seus pais enfurecidos ao lado dele. Logo após foram Johnny Ian, James Orton, Caio Ortiz, Milton Brown, London Sonny, Mark Carlson e Justin Meacham. Todos eles ficaram menos de 5 minutos na sala com o diretor. Até que chegou a vez de Luke Kein. Ouvi vários gritos e xingamentos vindo dos pais do garoto, meus pais estavam calados, olhando um para o outro, pois não sabiam o que fazer. Ao fim da discussão com Luke, o diretor Schneider me chamou, com a voz dura e fria. Eu entrei.
Sentei-me na cadeira do meio, com meus pais ao lado. Então a minha sentença começou a ser ditada.
― Senhor e senhora Sullivan, sinto-lhes dizer que seu filho ontem se envolveu numa briga terrível que envolveu todos os garotos que estavam aqui. Seu filho cometeu infrações de nível gravíssimo, como a ação de cortar Luke Kein com uma faca que tinha. Outra infração foi o objeto que possuía, sendo este proibido pelo reformatório. ― Senti meus pais estremecerem em suas cadeiras, ouvindo aquilo que ouviam. O diretor continuou. ― Como esse tipo de infração as regras não pode ser tolerado, serei breve... Os nove garotos que passaram aqui foram expulsos, pois a regra é clara e não pode ter objeções, assim como não terá objeção com seu filho James Sullivan, assim eu sinto lhe dizer que seu filho está convidado a se retirar desse reformatório.
Minha mãe abaixou a cabeça e meu pai acenou positivamente também com a cabeça. Eu me encolhi em minha cadeira, mas meu pai me puxou pelo braço, me levantando a força. Saímos daquela sala sem dizer mais nada.
Fomos até meu quarto para recolher meus pertences, ainda em silêncio. Fomos bem rápidos e partimos para o carro, saindo dali para nunca mais voltar. Foi quando começaram a gritar, vieram também os xingamentos, os sinais de fúria partindo de minha mãe. Meu pai continuou em silêncio, até que ele perguntou em um tom sincero de calma.
― Jimmy, você decide o que quer fazer daqui para frente, não irei contradizer com sua decisão, você quer ir para outra escola?
― Pai... É, eu... Eu serei sincero, não. Sei que meu caminho não é este, meu sonho não está em escola nenhuma, eu não preciso disso aqui, então... Não, me desculpe.
Fiquei olhando meu pai com medo de sua reação, vendo também minha mãe, que agora se encolhia no banco. Meu pai ficou pensativo por uns minutos, até que, para minha surpresa, sorriu. Seu sorriso era um pouco forçado, mas ainda assim me fez acompanhar ele. Ele disse com um tom caloroso para mim.
― Meu filho, eu sempre soube que seu caminho não era este, mas era meu dever de pai te fazer seguir o caminho corretamente proposto a você. Eu segui que você quer seguir a música e concordo com você, siga o seu caminho. Já que a sua decisão é essa, não irei lhe matricular em mais nenhuma escola, somente se você me pedir, está certo?
― Obrigado pai. ― Disse em tom de desculpa.
Senti um alívio em meu corpo e então relaxei, sabia que agora curtiria a vida como deveria.
2. Capítulo – Décimo segundo aniversário
Os anos seguintes não foram muito bons, eu fui colocado em uma escola pública, a Huntington Beach High School. Ali era o que eu chamava de meu “inferno prazeroso”, todas as pessoas tendo certo receio de conversar comigo, pelo fato de meu olhar maldoso e minhas vestimentas estranhas. As únicas pessoas que falavam comigo eram uma garota de olhos verdes e cabelos loiros e longos, tinha uma beleza estonteante e um sorriso apaixonante chamava-se Leana, e também um menino alto e magro, de olhar revoltado e cabelo preto curto, que tinha nome de Zachary. Eles agüentavam todas as minhas provocações, já que eu era o pior aluno da classe. Anos se passaram e eu cheguei na 6ª série, meus pais haviam me perdoado pelo incidente da expulsão há quatro anos, eu melhorara em minhas notas e estava tendo um comportamento um pouco melhor do que o normal, a não serem as brincadeiras que eu fazia com meus “amigos”. O dia de meu aniversário chegou e eu nem percebi, eu entrei em casa após meu dia chato e lento de aula, cansado por ficar ouvindo as baboseiras dos professores, então quando entrei, percebi tudo apagado e vi que algo estava acontecendo, tateei a parede, a procura do interruptor que acenderia a luz, e a acendi, mas um grande barulho veio a meus ouvidos, então todos falaram em coro.
― Feliz aniversário! ― Eu fiquei paralisado. Depois disso, em coro também, começaram a bater palmas e a cantar, com grandes sorrisos em seus lábios. ― Parabéns pra você, nesta data querida...
Eu tentava ver cada rosto dentre os vários naquele grupo à minha frente, vi um grande bolo com uma “foto” em cima, do qual tinha um símbolo musical muito conhecido, sorri meio tímido ao ver as pessoas cantando, mas alguém dentre todos eles me surpreendeu, aquela pessoa que eu mal falava a mais de dois anos, o que eu jurava que seria meu melhor amigo até o fim da vida, Matthew Sanders.
Quando a canção de aniversário chegou a seu fim, senti as mãos de minha mãe em meu ombro, me levando para frente do bolo, ela disse em tom animado.
― Apague as velinhas James.
Eu puxei o ar com força exagerada, então depois assoprei as velas, apagando-as de um jeito rápido e fácil, assim me pouparia o tempo em ficar ali naqueles momentos chatos. O bolo fora cortado e todos se servirão, comendo, rindo, cantando, conversando e etc... Eu procurei vagamente pela pessoa que eu esperava há um tempo, então senti um leve soco em meu ombro, me fazendo ir para frente com leveza.
― Iae cara, quanto tempo... ― Eu me virei e vi Matt sorrindo com suas covinhas aparecendo de um jeito esplendido. Retribui o sorrido, tocando em sua mão.
― Quanto tempo mesmo... Você sumiu por quê? ― Eu disse, tentando disfarçar o entusiasmo que sentia.
Li duas vezes sem perceber. Olhei para ela corando também, sorrindo de um jeito emocionado. Abri o pacote e vi que havia duas baquetas pretas com a ponta de nylon branca, as tirei da capa que as envolvia e as segurei, ouvi Leana sussurrar algo para Matt, rindo com ele enquanto fala.
― Vocês homens não pensam mesmo, compram a bateria e se esquecem do instrumento que é preciso para tocar ela... As baquetas.
Eu continuei a segurar firmemente as baquetas, olhando com um sorriso abobalhado para as pessoas que me observavam, até que alguém me chamou a atenção.
― Vamos Jimmy, toque algo... ― sibilou Matthew, com um entusiasmo diferente na voz.
― M-mas eu não sei tocar nada. ― Disse com certa vergonha, agora abaixando a cabeça e vendo o pedal duplo que meu pé dominava ali.
― Isso não é problema, eu te ajudo. ― Disse Zack e logo agarrou uma guitarra que estava no canto da garagem, nem prestava mais atenção naquela guitarra velha, mas percebi que ela era um tanto grande para Zack. Ele a segurou e falou. ― Que tal... hãm... Uma das músicas mais tocadas do momento... WALK! ― Brian falou com uma excitação esplendida na voz, me fazendo sorrir com seu grito. Demorei-me alguns segundos para poder tomar uma decisão, vendo os olhares apreensivos das pessoas ali, até que por fim assenti com a cabeça, voltando a sorrir.
Zack começara o primeiro riff da música enquanto eu o olhava ainda tenso, então entrei em ação, tocando os tons um e dois respectivamente. Depois passamos para a Intro dois da música, enquanto olhávamos um para o outro, com dois grandes sorrisos nos lábios, felizes com a sincronia que tínhamos no momento, mesmo sem nunca ter treinado junto. No momento em que a voz deveria ser lançada, fui surpreendido por Matthew que começou a cantar a música, numa voz rouca e rasgada.
Senti uma vibração em meu corpo diferente, me fazendo tocar com mais emoção, esticando os toques no chimbal, aproveitando o pedal duplo para dar um toque mais pesado à música. Zack percebeu minha intenção e rapidamente fez o riff daquela parte com um tom mais agudo, mudando um pouco o estilo da música. Percebi que nós três sorríamos abobalhados um para o outro, então chegamos a um momento em que havia um backing vocal, do qual nós três gritamos, em um coro perfeitamente sincronizado.
― RE... SPECT... WALK!
Repetimos essa parte mais uma vez e parei de repente de tocar, percebi que as pessoas que estavam na pequena festa nos rodeavam, com sorrisos orgulhosos, as olhei envergonhado e depois olhei para Zack e Matt, um pouco desnorteado. Eles me fitavam com interesse, sorrindo de um jeito peculiar, como se me analisassem. Fiquei parado, até que as pessoas bateram palmas para nós três, nos fazendo sorrir ao perceber o nosso sucesso.
A festa se acabara e sobrara somente Zack, Matt e Lea em minha casa. Nossos pais conversavam enquanto ficávamos na garagem, também conversando, em principal sobre o incidente acontecido mais cedo. Zack falou, entusiasmado com o ocorrido.
― Cara, foi irado. Tocamos muito bem, claro que ainda é pouco para o que o Pantera faz, mas é algo incrível. Realmente... Incrível. ― Ele praticamente pulava de entusiasmo, o que me deixava mais envergonhado. Lea percebeu isso.
― Que foi Jimmy? Não acha que foram bem, pois pra mim vocês foram muito bem, de verdade.
― Não. É. Isso. É que... É meio estranho sabe essa imagem não sai da minha cabeça, todo mundo batendo palmas, é como se eu soubesse que isso iria acontecer, é como se fosse uma...
― Premonição. ― Falou Matt com um tom sério. ― Escute Jimmy, eu gostei do que aconteceu agora a pouco, acho que foi irado, mas num sei não...
― Eu não disse nada. ― Realmente, eu não precisava dizer, Matt sabia o que eu pensava.
― Eu te conheço amigo você pensou sim em nós... Como uma banda. Também pensei, mas acho que é cedo demais para esse tipo de pensamento, creio que possamos tocar um pouco mais para frente, só que é cedo demais sabe. ― Ele falava tão rápido ao tentar se explicar que eu entendi apenas metade, a metade suficiente, do que ele falava.
― É, pode ser. Mas eu quero uma promessa de vocês, vocês dois... Prometam que um dia ainda faremos um grande show, prometam que ainda faremos sucesso e ganharemos dinheiro... Juntos!
― Prometemos. ― Os dois falaram em coro. Eu sorri.
― Então está certo Zachary, está na hora de ir para casa. ― Falou o Sr. Baker, o pai de Zack.
― Concordo. Você também Matt. Vamos.
Os dois se levantaram uma fração de segundo antes de Lea e eu. Acompanhei os dois até a porta e toquei na mão dos dois, os vendo se distanciar. Gritei com um leve sorriso nos lábios.
― Não se esqueça. Vocês prometeram.
Eles acenaram e entraram nos carros, sumindo rapidamente. Eu me virei e vi Lea me olhando com certa preocupação. Disse rapidamente.
― Se quiser eu te levo para casa.
― Não, não é isso. Bem é que... Não sei bem como falar. ― Ao ir falando, Lea saiu para o gramado, obrigando-me a acompanhá-la até o jardim, fechando a porta com cuidado.
Ela me olhou nos olhos, depois sorriu gentilmente e falou, em tom despreocupado.
― Te vejo na escola, depois te conto o que é.
Eu assenti com a cabeça, então ela se virou e partiu me deixando sozinho no jardim, olhando-a com cara de idiota, como sempre.
Eu entrei em casa e fui direto para meu quarto, meu corpo tremendo de agitação, sorri para mim mesmo no espelho, depois me troquei, vestindo minha roupa de dormir. Deitei-me na cama e olhei para o teto, pensativo. Foram tantas coisas em minha mente, mal sabia por onde começar estava tudo embaralhado. Pensei primeiro na bateria e no “show” que acontecera mais cedo e depois, no olhar estranho e diferente de Lea, o que me fez ficar contente. Acabei adormecendo enquanto pensava, deixando um grande sorriso no rosto, sabendo em meu subconsciente que no dia que viria, haveria muito mais do que eu provara naquele dia.
― Feliz aniversário! ― Eu fiquei paralisado. Depois disso, em coro também, começaram a bater palmas e a cantar, com grandes sorrisos em seus lábios. ― Parabéns pra você, nesta data querida...
Eu tentava ver cada rosto dentre os vários naquele grupo à minha frente, vi um grande bolo com uma “foto” em cima, do qual tinha um símbolo musical muito conhecido, sorri meio tímido ao ver as pessoas cantando, mas alguém dentre todos eles me surpreendeu, aquela pessoa que eu mal falava a mais de dois anos, o que eu jurava que seria meu melhor amigo até o fim da vida, Matthew Sanders.
Quando a canção de aniversário chegou a seu fim, senti as mãos de minha mãe em meu ombro, me levando para frente do bolo, ela disse em tom animado.
― Apague as velinhas James.
Eu puxei o ar com força exagerada, então depois assoprei as velas, apagando-as de um jeito rápido e fácil, assim me pouparia o tempo em ficar ali naqueles momentos chatos. O bolo fora cortado e todos se servirão, comendo, rindo, cantando, conversando e etc... Eu procurei vagamente pela pessoa que eu esperava há um tempo, então senti um leve soco em meu ombro, me fazendo ir para frente com leveza.
― Iae cara, quanto tempo... ― Eu me virei e vi Matt sorrindo com suas covinhas aparecendo de um jeito esplendido. Retribui o sorrido, tocando em sua mão.
― Quanto tempo mesmo... Você sumiu por quê? ― Eu disse, tentando disfarçar o entusiasmo que sentia.
Li duas vezes sem perceber. Olhei para ela corando também, sorrindo de um jeito emocionado. Abri o pacote e vi que havia duas baquetas pretas com a ponta de nylon branca, as tirei da capa que as envolvia e as segurei, ouvi Leana sussurrar algo para Matt, rindo com ele enquanto fala.
― Vocês homens não pensam mesmo, compram a bateria e se esquecem do instrumento que é preciso para tocar ela... As baquetas.
Eu continuei a segurar firmemente as baquetas, olhando com um sorriso abobalhado para as pessoas que me observavam, até que alguém me chamou a atenção.
― Vamos Jimmy, toque algo... ― sibilou Matthew, com um entusiasmo diferente na voz.
― M-mas eu não sei tocar nada. ― Disse com certa vergonha, agora abaixando a cabeça e vendo o pedal duplo que meu pé dominava ali.
― Isso não é problema, eu te ajudo. ― Disse Zack e logo agarrou uma guitarra que estava no canto da garagem, nem prestava mais atenção naquela guitarra velha, mas percebi que ela era um tanto grande para Zack. Ele a segurou e falou. ― Que tal... hãm... Uma das músicas mais tocadas do momento... WALK! ― Brian falou com uma excitação esplendida na voz, me fazendo sorrir com seu grito. Demorei-me alguns segundos para poder tomar uma decisão, vendo os olhares apreensivos das pessoas ali, até que por fim assenti com a cabeça, voltando a sorrir.
Zack começara o primeiro riff da música enquanto eu o olhava ainda tenso, então entrei em ação, tocando os tons um e dois respectivamente. Depois passamos para a Intro dois da música, enquanto olhávamos um para o outro, com dois grandes sorrisos nos lábios, felizes com a sincronia que tínhamos no momento, mesmo sem nunca ter treinado junto. No momento em que a voz deveria ser lançada, fui surpreendido por Matthew que começou a cantar a música, numa voz rouca e rasgada.
Senti uma vibração em meu corpo diferente, me fazendo tocar com mais emoção, esticando os toques no chimbal, aproveitando o pedal duplo para dar um toque mais pesado à música. Zack percebeu minha intenção e rapidamente fez o riff daquela parte com um tom mais agudo, mudando um pouco o estilo da música. Percebi que nós três sorríamos abobalhados um para o outro, então chegamos a um momento em que havia um backing vocal, do qual nós três gritamos, em um coro perfeitamente sincronizado.
― RE... SPECT... WALK!
Repetimos essa parte mais uma vez e parei de repente de tocar, percebi que as pessoas que estavam na pequena festa nos rodeavam, com sorrisos orgulhosos, as olhei envergonhado e depois olhei para Zack e Matt, um pouco desnorteado. Eles me fitavam com interesse, sorrindo de um jeito peculiar, como se me analisassem. Fiquei parado, até que as pessoas bateram palmas para nós três, nos fazendo sorrir ao perceber o nosso sucesso.
A festa se acabara e sobrara somente Zack, Matt e Lea em minha casa. Nossos pais conversavam enquanto ficávamos na garagem, também conversando, em principal sobre o incidente acontecido mais cedo. Zack falou, entusiasmado com o ocorrido.
― Cara, foi irado. Tocamos muito bem, claro que ainda é pouco para o que o Pantera faz, mas é algo incrível. Realmente... Incrível. ― Ele praticamente pulava de entusiasmo, o que me deixava mais envergonhado. Lea percebeu isso.
― Que foi Jimmy? Não acha que foram bem, pois pra mim vocês foram muito bem, de verdade.
― Não. É. Isso. É que... É meio estranho sabe essa imagem não sai da minha cabeça, todo mundo batendo palmas, é como se eu soubesse que isso iria acontecer, é como se fosse uma...
― Premonição. ― Falou Matt com um tom sério. ― Escute Jimmy, eu gostei do que aconteceu agora a pouco, acho que foi irado, mas num sei não...
― Eu não disse nada. ― Realmente, eu não precisava dizer, Matt sabia o que eu pensava.
― Eu te conheço amigo você pensou sim em nós... Como uma banda. Também pensei, mas acho que é cedo demais para esse tipo de pensamento, creio que possamos tocar um pouco mais para frente, só que é cedo demais sabe. ― Ele falava tão rápido ao tentar se explicar que eu entendi apenas metade, a metade suficiente, do que ele falava.
― É, pode ser. Mas eu quero uma promessa de vocês, vocês dois... Prometam que um dia ainda faremos um grande show, prometam que ainda faremos sucesso e ganharemos dinheiro... Juntos!
― Prometemos. ― Os dois falaram em coro. Eu sorri.
― Então está certo Zachary, está na hora de ir para casa. ― Falou o Sr. Baker, o pai de Zack.
― Concordo. Você também Matt. Vamos.
Os dois se levantaram uma fração de segundo antes de Lea e eu. Acompanhei os dois até a porta e toquei na mão dos dois, os vendo se distanciar. Gritei com um leve sorriso nos lábios.
― Não se esqueça. Vocês prometeram.
Eles acenaram e entraram nos carros, sumindo rapidamente. Eu me virei e vi Lea me olhando com certa preocupação. Disse rapidamente.
― Se quiser eu te levo para casa.
― Não, não é isso. Bem é que... Não sei bem como falar. ― Ao ir falando, Lea saiu para o gramado, obrigando-me a acompanhá-la até o jardim, fechando a porta com cuidado.
Ela me olhou nos olhos, depois sorriu gentilmente e falou, em tom despreocupado.
― Te vejo na escola, depois te conto o que é.
Eu assenti com a cabeça, então ela se virou e partiu me deixando sozinho no jardim, olhando-a com cara de idiota, como sempre.
Eu entrei em casa e fui direto para meu quarto, meu corpo tremendo de agitação, sorri para mim mesmo no espelho, depois me troquei, vestindo minha roupa de dormir. Deitei-me na cama e olhei para o teto, pensativo. Foram tantas coisas em minha mente, mal sabia por onde começar estava tudo embaralhado. Pensei primeiro na bateria e no “show” que acontecera mais cedo e depois, no olhar estranho e diferente de Lea, o que me fez ficar contente. Acabei adormecendo enquanto pensava, deixando um grande sorriso no rosto, sabendo em meu subconsciente que no dia que viria, haveria muito mais do que eu provara naquele dia.
1. Capítulo – Infância
Era o ano de 1988 e eu estava deitado em minha cama, acabara de acordar e ainda era cedo para ir à escola católica, mas eu não queria saber, o importante era ver um de meus melhores amigos, aquele do qual eu sabia que poderia ser um amigo fiel, Matthew Sanders. Olhei o despertador que anunciava ser exatamente 06h10min da manhã, então eu sabia que ainda havia tempo, pois morava a apenas duas quadras da escola e mesmo assim meu pai, John Sullivan me levava até a escola, para garantir que nada de mal acontecesse.
Sentei-me por alguns segundos em minha cama, o olhar percorrendo todo o quarto, eu havia acabado de fazer sete anos e ainda contemplava a nova idade, levantei-me por fim, me arrumando rapidamente para poder ir para a escola. Desci as escadas bocejando brevemente, enquanto meu pai ligava o carro velho que tinha comprado há alguns meses, fui até a cozinha e olhei para minha mãe, que acabara de preencher minha lancheira com uns dois sanduíches, ela sabia que minha fome era voraz. Mamãe me levou até a porta e acenou para mim e para meu pai quando saímos da garagem, andando numa velocidade considerada lenta.
Ao chegar à escola, observei que todos estavam uniformizados de forma exemplar, com um terno de cor azul-marinho, uma gravata preta e no emblema da escola, a foto de Jesus Cristo, com os braços abertos e o sorriso estampado na face, enquanto embaixo estava bordado em cor dourada o nome da escola “College Catholic of Huntington Beach”. Eu me senti desajeitado em relação aos outros garotos, eu sabia que estava estranhamente arrumado, o meu terno não estava abotoado e a gravata estava meio folgada para meu pesco magro, meu pai falou por fim.
― James... Não quer entrar, se quiser eu o levo para casa.
― Tudo bem papai, eu só estava... Ah deixa quieto, até mais!
― Eu te amo.
― Ta.
Eu sabia que não conseguira falar eu te amo nem mesmo para meu pai, eu sabia que às vezes minha dureza, minha falta de inocência o deixava triste e eu não conseguia mudar, então simplesmente respondia com a maior ternura que eu conseguia.
Saí do carro e fechei a porta com uma leve dificuldade, carregando a lancheira na mão direita, enquanto procurava àquela pessoa que me fazia suportar tudo aquilo diariamente. Eu olhei atentamente procurando por Matthew, mas quando menos esperava.
― Buu! ― Um grito ecoando de trás de mim gritou, rindo e balançando meus ombros rapidamente.
― Hey cara, você me assustou!
― A intenção não era essa? ― Matthew sorriu e me fez sorrir, mesmo sem querer. Sua felicidade e o olhar confiante sempre me faziam sorrir e isso era um bom sinal.
Matthew era poucos meses mais novo que eu e mesmo assim, era mais alto e um pouco mais forte, ou gordo, eu não sabia distinguir. Nós entramos no colégio e corremos para nossa sala, esperando ter a sorte de o professor não ter adentrado ainda.
ㅤㅤㅤAo entrar, ofegantes, nos sentamos nos nossos lugares habituais, no fundo, eu do lado direito dele. Sorri para ele quando o professor começou a explicar uma matéria de Inglês, do qual eu não estava prestando atenção. Por fim, o Professor, que se chama Ben, ou Sr. Ben, perguntou, virando-se para mim.
― Sullivan, você sabe a resposta a esta questão?
― Hãmmm, Pão com geléia?
― Como é que é? ― Ele falou um pouco alto, pois todos em minha sala começaram a rir um tanto exageradamente alto.
― Eu não sei, talvez... Sua mãe é uma vadia? ― Eu falei, olhando-o com uma cara inocente que pouco convencia.
― Garoto... Com quem aprendeu isso?
― É... Bem... ― Eu olhei de canto para Matthew, ele estava com a expressão mais disfarçada do mundo, era hábito dele falar coisas desse gênero e me ensinar algumas coisas assim, mas mesmo assim eu não queria incriminar meu amigo. ― Não é da sua conta.
― Vá para a diretoria James Sullivan... AGORA! ― O professor cuspiu, soltando jorros de fúria por contas das provocações.
Eu permaneci parado, olhava para a cara do professor com uma tranqüilidade que não era esperada, sorri para ele enquanto seu rosto se avermelhava. Eu sabia que estava MUITO encrencado, então não faria diferença se eu o provocasse mais. Eu estava enganado.
― Você não me ouviu? Está surdo?
― Isso também não é da sua conta seu velho. Você acha que é alguém aqui, eu não irei respeitar você nunca, idiota. Seu filho da... ― Antes mesmo que eu falasse alguém tapara minha boca. Olhei de lado e vi que era ele, Matthew, provavelmente me segurando para não falar aquilo que não admitiam na escola... Palavrões. O professor me pegou pelo braço bufando, todos na sala estavam aquietados, agora aterrorizados com a cena que viram. Eu olhei novamente para Matthew com a cara temerosa e ele correspondeu, pois sabia que o que viria não era coisa boa. Matthew não podia fazer nada além de me olhar e mostrar que estava arrependido por ter me ensinado aquelas coisas.
Cheguei com o professor à diretoria, entrando com ele rapidamente e de um jeito brusco, que fez a diretora Perkins saltar elegantemente da cadeira em que estava sentada. O professor olhou-a, tentando manter a voz calma, mesmo que estava tremesse de fúria.
― Sra. Perkins, quero lhe informar que James Sullivan estava fazendo bagunça em minha sala... Bem, não era uma bagunça qualquer, ele simplesmente insultou-me de um jeito do qual desrespeitava a mim e aos alunos, bem... ― Ele falou num jorro de fúria, a voz tremida, enquanto a diretora lhe observava. Ao fim, ela falou com um tom analisador.
― Sr. Ben, creio que este tipo de coisa eu deva resolver com James e os pais dele, então, deixe-o aqui e terá a resposta quanto ao castigo desse garoto. ― Ela disse em tom severo, mas calmo, enquanto me olhava com os olhos por cima dos óculos em forma de lua.
O Sr. Ben me deixara ali com a diretora e saiu, sem falar mais nada. Eu fiquei olhando para a face da diretora, agora com o rosto inocente e temeroso, mesmo que por dentro eu não esteja sentindo absolutamente nada disso, ela disse após uns segundos olhando umas folhas.
― Bem, James. Creio que eu tenha de chamar seus pais, juntos para comparecerem aqui. Que acha?
Mesmo com o medo começando a penetrar em meu interior, falei em um tom que a provocava e também mostrava firmeza em relação ao que eu havia feito.
― Faça o que quiser não me importa.
― Veremos. ― A diretora falara enquanto pegava o telefone e discava um número que com certeza era o da minha casa, enquanto o telefone tocava e ela esperava, disse-me, ainda no tom severo. ― Vá para fora, espere sentado.
Eu dei de ombros, apenas assentindo com frieza, então saí, andando calmamente.
Uns poucos minutos se passaram e vi alguém vindo na minha direção, mesmo de longe pude perceber que era Matthew.
― Matt... É bem... ― Eu não sabia o que falar, estava errado, mas não queria dar o braço a torcer.
― Jimmy... Você sabe que está errado, esse tipo de coisa não é permitido aqui, você sabe. O que fazemos fora, o que eu faço fora, não deve ser repetido aqui dentro... Acho que você esta encrencado amigo. ― Matthew falou de um jeito fraco e bastante sério, depois parou e voltou a falar, colocando a mão no meu ombro. ― Espero que dê tudo certo, boa sorte. Preciso ir, até mais! ― Eu assenti com um olhar sério e temeroso. E ele saiu.
Após Matthew se retirar, olhei para o lado, estava um pouco desorientado e inquieto admito, até que vi no fim do corredor meus pais, andando de um jeito um pouco pesado, eu sabia que aqueles passos eram irritados e nervosos, então não provocaria mais. Mamãe me lançou um olhar bravo e me chamou enquanto abria a porta da sala, meu pai ficou quieto, mas a expressão em sua face era nervosa. Eles entraram.
Logo que entrei no encalço dos pais, vi três cadeiras certamente postas na frente da mesa, enquanto atrás estava a diretora, com os olhos analisadores nos meus pais, enfim, sentamos. Eu fiquei ouvindo a diretora e meus pais conversarem sobre minha situação, mal eu prestara atenção naquilo que falavam, apenas lembrava a letra de uma música e os toques de bateria, que eram rápidos e ágeis, meu sonho era ser um baterista, mas ao que me falava meus familiares, eu tinha aptidão para o piano, instrumento que eu tocava com êxito. Fiquei submerso em meus pensamentos até que uma frase saiu da boca da diretora, ecoando em meus ouvidos como um grito.
― Sinto lhes dizer, mas seu filho está sendo convidado a se retirar dessa instituição.
― VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! ― Eu esperava essa frase vinda da boca da minha mãe e a olhei, com os olhos arregalados, assim como ela fizera ao ouvir aquele som, por fim eu percebi que aquela frase gritando saíra de minha boca e não da boca de minha mãe, o que me deixou surpreso.
― Sinto muito James, mas é a única solução para uma coisa dessas. ― A diretora me olhava com a expressão serena.
― Mas, mas... E meus amigos... E Matt. Não pode fazer isso, por favor. ― Eu implorava, sentindo algumas lágrimas frágeis sair de meus olhos, caindo por meu rosto, enquanto eu abaixava a cabeça.
― Sinto muito. ― A voz da diretora ainda serena.
Mamãe se levantou, indo até a porta, abrindo-a e saindo de um jeito brusco. Meu pai me ergueu com facilidade, mas sem nenhuma brutalidade, me levou para a porta em seu colo e por fim me levou para o carro. Dentro do carro, vários sons ecoando em minha cabeça, minha mãe gritava e choramingava, meu pai tentava acalmá-la, mas eu não prestava atenção, meus pensamentos estavam virados para meu melhor amigo, como iria sobreviver sem ele, sem as brincadeiras? Seria muito difícil, talvez impossível, mas não havia saída, eu acho.
Sentei-me por alguns segundos em minha cama, o olhar percorrendo todo o quarto, eu havia acabado de fazer sete anos e ainda contemplava a nova idade, levantei-me por fim, me arrumando rapidamente para poder ir para a escola. Desci as escadas bocejando brevemente, enquanto meu pai ligava o carro velho que tinha comprado há alguns meses, fui até a cozinha e olhei para minha mãe, que acabara de preencher minha lancheira com uns dois sanduíches, ela sabia que minha fome era voraz. Mamãe me levou até a porta e acenou para mim e para meu pai quando saímos da garagem, andando numa velocidade considerada lenta.
Ao chegar à escola, observei que todos estavam uniformizados de forma exemplar, com um terno de cor azul-marinho, uma gravata preta e no emblema da escola, a foto de Jesus Cristo, com os braços abertos e o sorriso estampado na face, enquanto embaixo estava bordado em cor dourada o nome da escola “College Catholic of Huntington Beach”. Eu me senti desajeitado em relação aos outros garotos, eu sabia que estava estranhamente arrumado, o meu terno não estava abotoado e a gravata estava meio folgada para meu pesco magro, meu pai falou por fim.
― James... Não quer entrar, se quiser eu o levo para casa.
― Tudo bem papai, eu só estava... Ah deixa quieto, até mais!
― Eu te amo.
― Ta.
Eu sabia que não conseguira falar eu te amo nem mesmo para meu pai, eu sabia que às vezes minha dureza, minha falta de inocência o deixava triste e eu não conseguia mudar, então simplesmente respondia com a maior ternura que eu conseguia.
Saí do carro e fechei a porta com uma leve dificuldade, carregando a lancheira na mão direita, enquanto procurava àquela pessoa que me fazia suportar tudo aquilo diariamente. Eu olhei atentamente procurando por Matthew, mas quando menos esperava.
― Buu! ― Um grito ecoando de trás de mim gritou, rindo e balançando meus ombros rapidamente.
― Hey cara, você me assustou!
― A intenção não era essa? ― Matthew sorriu e me fez sorrir, mesmo sem querer. Sua felicidade e o olhar confiante sempre me faziam sorrir e isso era um bom sinal.
Matthew era poucos meses mais novo que eu e mesmo assim, era mais alto e um pouco mais forte, ou gordo, eu não sabia distinguir. Nós entramos no colégio e corremos para nossa sala, esperando ter a sorte de o professor não ter adentrado ainda.
ㅤㅤㅤAo entrar, ofegantes, nos sentamos nos nossos lugares habituais, no fundo, eu do lado direito dele. Sorri para ele quando o professor começou a explicar uma matéria de Inglês, do qual eu não estava prestando atenção. Por fim, o Professor, que se chama Ben, ou Sr. Ben, perguntou, virando-se para mim.
― Sullivan, você sabe a resposta a esta questão?
― Hãmmm, Pão com geléia?
― Como é que é? ― Ele falou um pouco alto, pois todos em minha sala começaram a rir um tanto exageradamente alto.
― Eu não sei, talvez... Sua mãe é uma vadia? ― Eu falei, olhando-o com uma cara inocente que pouco convencia.
― Garoto... Com quem aprendeu isso?
― É... Bem... ― Eu olhei de canto para Matthew, ele estava com a expressão mais disfarçada do mundo, era hábito dele falar coisas desse gênero e me ensinar algumas coisas assim, mas mesmo assim eu não queria incriminar meu amigo. ― Não é da sua conta.
― Vá para a diretoria James Sullivan... AGORA! ― O professor cuspiu, soltando jorros de fúria por contas das provocações.
Eu permaneci parado, olhava para a cara do professor com uma tranqüilidade que não era esperada, sorri para ele enquanto seu rosto se avermelhava. Eu sabia que estava MUITO encrencado, então não faria diferença se eu o provocasse mais. Eu estava enganado.
― Você não me ouviu? Está surdo?
― Isso também não é da sua conta seu velho. Você acha que é alguém aqui, eu não irei respeitar você nunca, idiota. Seu filho da... ― Antes mesmo que eu falasse alguém tapara minha boca. Olhei de lado e vi que era ele, Matthew, provavelmente me segurando para não falar aquilo que não admitiam na escola... Palavrões. O professor me pegou pelo braço bufando, todos na sala estavam aquietados, agora aterrorizados com a cena que viram. Eu olhei novamente para Matthew com a cara temerosa e ele correspondeu, pois sabia que o que viria não era coisa boa. Matthew não podia fazer nada além de me olhar e mostrar que estava arrependido por ter me ensinado aquelas coisas.
Cheguei com o professor à diretoria, entrando com ele rapidamente e de um jeito brusco, que fez a diretora Perkins saltar elegantemente da cadeira em que estava sentada. O professor olhou-a, tentando manter a voz calma, mesmo que estava tremesse de fúria.
― Sra. Perkins, quero lhe informar que James Sullivan estava fazendo bagunça em minha sala... Bem, não era uma bagunça qualquer, ele simplesmente insultou-me de um jeito do qual desrespeitava a mim e aos alunos, bem... ― Ele falou num jorro de fúria, a voz tremida, enquanto a diretora lhe observava. Ao fim, ela falou com um tom analisador.
― Sr. Ben, creio que este tipo de coisa eu deva resolver com James e os pais dele, então, deixe-o aqui e terá a resposta quanto ao castigo desse garoto. ― Ela disse em tom severo, mas calmo, enquanto me olhava com os olhos por cima dos óculos em forma de lua.
O Sr. Ben me deixara ali com a diretora e saiu, sem falar mais nada. Eu fiquei olhando para a face da diretora, agora com o rosto inocente e temeroso, mesmo que por dentro eu não esteja sentindo absolutamente nada disso, ela disse após uns segundos olhando umas folhas.
― Bem, James. Creio que eu tenha de chamar seus pais, juntos para comparecerem aqui. Que acha?
Mesmo com o medo começando a penetrar em meu interior, falei em um tom que a provocava e também mostrava firmeza em relação ao que eu havia feito.
― Faça o que quiser não me importa.
― Veremos. ― A diretora falara enquanto pegava o telefone e discava um número que com certeza era o da minha casa, enquanto o telefone tocava e ela esperava, disse-me, ainda no tom severo. ― Vá para fora, espere sentado.
Eu dei de ombros, apenas assentindo com frieza, então saí, andando calmamente.
Uns poucos minutos se passaram e vi alguém vindo na minha direção, mesmo de longe pude perceber que era Matthew.
― Matt... É bem... ― Eu não sabia o que falar, estava errado, mas não queria dar o braço a torcer.
― Jimmy... Você sabe que está errado, esse tipo de coisa não é permitido aqui, você sabe. O que fazemos fora, o que eu faço fora, não deve ser repetido aqui dentro... Acho que você esta encrencado amigo. ― Matthew falou de um jeito fraco e bastante sério, depois parou e voltou a falar, colocando a mão no meu ombro. ― Espero que dê tudo certo, boa sorte. Preciso ir, até mais! ― Eu assenti com um olhar sério e temeroso. E ele saiu.
Após Matthew se retirar, olhei para o lado, estava um pouco desorientado e inquieto admito, até que vi no fim do corredor meus pais, andando de um jeito um pouco pesado, eu sabia que aqueles passos eram irritados e nervosos, então não provocaria mais. Mamãe me lançou um olhar bravo e me chamou enquanto abria a porta da sala, meu pai ficou quieto, mas a expressão em sua face era nervosa. Eles entraram.
Logo que entrei no encalço dos pais, vi três cadeiras certamente postas na frente da mesa, enquanto atrás estava a diretora, com os olhos analisadores nos meus pais, enfim, sentamos. Eu fiquei ouvindo a diretora e meus pais conversarem sobre minha situação, mal eu prestara atenção naquilo que falavam, apenas lembrava a letra de uma música e os toques de bateria, que eram rápidos e ágeis, meu sonho era ser um baterista, mas ao que me falava meus familiares, eu tinha aptidão para o piano, instrumento que eu tocava com êxito. Fiquei submerso em meus pensamentos até que uma frase saiu da boca da diretora, ecoando em meus ouvidos como um grito.
― Sinto lhes dizer, mas seu filho está sendo convidado a se retirar dessa instituição.
― VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO! ― Eu esperava essa frase vinda da boca da minha mãe e a olhei, com os olhos arregalados, assim como ela fizera ao ouvir aquele som, por fim eu percebi que aquela frase gritando saíra de minha boca e não da boca de minha mãe, o que me deixou surpreso.
― Sinto muito James, mas é a única solução para uma coisa dessas. ― A diretora me olhava com a expressão serena.
― Mas, mas... E meus amigos... E Matt. Não pode fazer isso, por favor. ― Eu implorava, sentindo algumas lágrimas frágeis sair de meus olhos, caindo por meu rosto, enquanto eu abaixava a cabeça.
― Sinto muito. ― A voz da diretora ainda serena.
Mamãe se levantou, indo até a porta, abrindo-a e saindo de um jeito brusco. Meu pai me ergueu com facilidade, mas sem nenhuma brutalidade, me levou para a porta em seu colo e por fim me levou para o carro. Dentro do carro, vários sons ecoando em minha cabeça, minha mãe gritava e choramingava, meu pai tentava acalmá-la, mas eu não prestava atenção, meus pensamentos estavam virados para meu melhor amigo, como iria sobreviver sem ele, sem as brincadeiras? Seria muito difícil, talvez impossível, mas não havia saída, eu acho.
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