sábado, dezembro 4

2. Capítulo – Décimo segundo aniversário

Os anos seguintes não foram muito bons, eu fui colocado em uma escola pública, a Huntington Beach High School. Ali era o que eu chamava de meu “inferno prazeroso”, todas as pessoas tendo certo receio de conversar comigo, pelo fato de meu olhar maldoso e minhas vestimentas estranhas. As únicas pessoas que falavam comigo eram uma garota de olhos verdes e cabelos loiros e longos, tinha uma beleza estonteante e um sorriso apaixonante chamava-se Leana, e também um menino alto e magro, de olhar revoltado e cabelo preto curto, que tinha nome de Zachary. Eles agüentavam todas as minhas provocações, já que eu era o pior aluno da classe. Anos se passaram e eu cheguei na 6ª série, meus pais haviam me perdoado pelo incidente da expulsão há quatro anos, eu melhorara em minhas notas e estava tendo um comportamento um pouco melhor do que o normal, a não serem as brincadeiras que eu fazia com meus “amigos”. O dia de meu aniversário chegou e eu nem percebi, eu entrei em casa após meu dia chato e lento de aula, cansado por ficar ouvindo as baboseiras dos professores, então quando entrei, percebi tudo apagado e vi que algo estava acontecendo, tateei a parede, a procura do interruptor que acenderia a luz, e a acendi, mas um grande barulho veio a meus ouvidos, então todos falaram em coro.
― Feliz aniversário! ― Eu fiquei paralisado. Depois disso, em coro também, começaram a bater palmas e a cantar, com grandes sorrisos em seus lábios. ― Parabéns pra você, nesta data querida...

Eu tentava ver cada rosto dentre os vários naquele grupo à minha frente, vi um grande bolo com uma “foto” em cima, do qual tinha um símbolo musical muito conhecido, sorri meio tímido ao ver as pessoas cantando, mas alguém dentre todos eles me surpreendeu, aquela pessoa que eu mal falava a mais de dois anos, o que eu jurava que seria meu melhor amigo até o fim da vida, Matthew Sanders.
Quando a canção de aniversário chegou a seu fim, senti as mãos de minha mãe em meu ombro, me levando para frente do bolo, ela disse em tom animado.
― Apague as velinhas James.
Eu puxei o ar com força exagerada, então depois assoprei as velas, apagando-as de um jeito rápido e fácil, assim me pouparia o tempo em ficar ali naqueles momentos chatos. O bolo fora cortado e todos se servirão, comendo, rindo, cantando, conversando e etc... Eu procurei vagamente pela pessoa que eu esperava há um tempo, então senti um leve soco em meu ombro, me fazendo ir para frente com leveza.
― Iae cara, quanto tempo... ― Eu me virei e vi Matt sorrindo com suas covinhas aparecendo de um jeito esplendido. Retribui o sorrido, tocando em sua mão.
― Quanto tempo mesmo... Você sumiu por quê? ― Eu disse, tentando disfarçar o entusiasmo que sentia.

Li duas vezes sem perceber. Olhei para ela corando também, sorrindo de um jeito emocionado. Abri o pacote e vi que havia duas baquetas pretas com a ponta de nylon branca, as tirei da capa que as envolvia e as segurei, ouvi Leana sussurrar algo para Matt, rindo com ele enquanto fala.
― Vocês homens não pensam mesmo, compram a bateria e se esquecem do instrumento que é preciso para tocar ela... As baquetas.
Eu continuei a segurar firmemente as baquetas, olhando com um sorriso abobalhado para as pessoas que me observavam, até que alguém me chamou a atenção.
― Vamos Jimmy, toque algo... ― sibilou Matthew, com um entusiasmo diferente na voz.
― M-mas eu não sei tocar nada. ― Disse com certa vergonha, agora abaixando a cabeça e vendo o pedal duplo que meu pé dominava ali.
― Isso não é problema, eu te ajudo. ― Disse Zack e logo agarrou uma guitarra que estava no canto da garagem, nem prestava mais atenção naquela guitarra velha, mas percebi que ela era um tanto grande para Zack. Ele a segurou e falou. ― Que tal... hãm... Uma das músicas mais tocadas do momento... WALK! ― Brian falou com uma excitação esplendida na voz, me fazendo sorrir com seu grito. Demorei-me alguns segundos para poder tomar uma decisão, vendo os olhares apreensivos das pessoas ali, até que por fim assenti com a cabeça, voltando a sorrir.
Zack começara o primeiro riff da música enquanto eu o olhava ainda tenso, então entrei em ação, tocando os tons um e dois respectivamente. Depois passamos para a Intro dois da música, enquanto olhávamos um para o outro, com dois grandes sorrisos nos lábios, felizes com a sincronia que tínhamos no momento, mesmo sem nunca ter treinado junto. No momento em que a voz deveria ser lançada, fui surpreendido por Matthew que começou a cantar a música, numa voz rouca e rasgada.

Senti uma vibração em meu corpo diferente, me fazendo tocar com mais emoção, esticando os toques no chimbal, aproveitando o pedal duplo para dar um toque mais pesado à música. Zack percebeu minha intenção e rapidamente fez o riff daquela parte com um tom mais agudo, mudando um pouco o estilo da música. Percebi que nós três sorríamos abobalhados um para o outro, então chegamos a um momento em que havia um backing vocal, do qual nós três gritamos, em um coro perfeitamente sincronizado.
― RE... SPECT... WALK!
Repetimos essa parte mais uma vez e parei de repente de tocar, percebi que as pessoas que estavam na pequena festa nos rodeavam, com sorrisos orgulhosos, as olhei envergonhado e depois olhei para Zack e Matt, um pouco desnorteado. Eles me fitavam com interesse, sorrindo de um jeito peculiar, como se me analisassem. Fiquei parado, até que as pessoas bateram palmas para nós três, nos fazendo sorrir ao perceber o nosso sucesso.

A festa se acabara e sobrara somente Zack, Matt e Lea em minha casa. Nossos pais conversavam enquanto ficávamos na garagem, também conversando, em principal sobre o incidente acontecido mais cedo. Zack falou, entusiasmado com o ocorrido.
― Cara, foi irado. Tocamos muito bem, claro que ainda é pouco para o que o Pantera faz, mas é algo incrível. Realmente... Incrível. ― Ele praticamente pulava de entusiasmo, o que me deixava mais envergonhado. Lea percebeu isso.
― Que foi Jimmy? Não acha que foram bem, pois pra mim vocês foram muito bem, de verdade.
― Não. É. Isso. É que... É meio estranho sabe essa imagem não sai da minha cabeça, todo mundo batendo palmas, é como se eu soubesse que isso iria acontecer, é como se fosse uma...



― Premonição. ― Falou Matt com um tom sério. ― Escute Jimmy, eu gostei do que aconteceu agora a pouco, acho que foi irado, mas num sei não...
― Eu não disse nada. ― Realmente, eu não precisava dizer, Matt sabia o que eu pensava.
― Eu te conheço amigo você pensou sim em nós... Como uma banda. Também pensei, mas acho que é cedo demais para esse tipo de pensamento, creio que possamos tocar um pouco mais para frente, só que é cedo demais sabe. ― Ele falava tão rápido ao tentar se explicar que eu entendi apenas metade, a metade suficiente, do que ele falava.
― É, pode ser. Mas eu quero uma promessa de vocês, vocês dois... Prometam que um dia ainda faremos um grande show, prometam que ainda faremos sucesso e ganharemos dinheiro... Juntos!
― Prometemos. ― Os dois falaram em coro. Eu sorri.
― Então está certo Zachary, está na hora de ir para casa. ― Falou o Sr. Baker, o pai de Zack.
― Concordo. Você também Matt. Vamos.
Os dois se levantaram uma fração de segundo antes de Lea e eu. Acompanhei os dois até a porta e toquei na mão dos dois, os vendo se distanciar. Gritei com um leve sorriso nos lábios.
― Não se esqueça. Vocês prometeram.
Eles acenaram e entraram nos carros, sumindo rapidamente. Eu me virei e vi Lea me olhando com certa preocupação. Disse rapidamente.
― Se quiser eu te levo para casa.
― Não, não é isso. Bem é que... Não sei bem como falar. ― Ao ir falando, Lea saiu para o gramado, obrigando-me a acompanhá-la até o jardim, fechando a porta com cuidado.

Ela me olhou nos olhos, depois sorriu gentilmente e falou, em tom despreocupado.
― Te vejo na escola, depois te conto o que é.
Eu assenti com a cabeça, então ela se virou e partiu me deixando sozinho no jardim, olhando-a com cara de idiota, como sempre.
Eu entrei em casa e fui direto para meu quarto, meu corpo tremendo de agitação, sorri para mim mesmo no espelho, depois me troquei, vestindo minha roupa de dormir. Deitei-me na cama e olhei para o teto, pensativo. Foram tantas coisas em minha mente, mal sabia por onde começar estava tudo embaralhado. Pensei primeiro na bateria e no “show” que acontecera mais cedo e depois, no olhar estranho e diferente de Lea, o que me fez ficar contente. Acabei adormecendo enquanto pensava, deixando um grande sorriso no rosto, sabendo em meu subconsciente que no dia que viria, haveria muito mais do que eu provara naquele dia.

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