sábado, dezembro 4

4. Capítulo - A primeira vez, parte 1.

Mais um dia ensolarado, eu acordei sorrindo para o mundo, afinal, sabia que estava diante da vida que queria. Longe das escolas e de qualquer coisa que não se relacionasse a música, percebia cada vez mais que minha função no mundo era ser baterista, tocar e fazer sucesso. Levantei-me de minha cama e fui ao banheiro, escovei os dentes e fiquei me olhando no espelho, sorrindo para mim mesmo. Já passara duas semanas que eu estava fora da escola e me sentia livre, de um jeito em que eu nunca me senti. Caminhei pelo meu quarto, à procura de minhas baquetas novas, enquanto pensava em ligar para Lea, com quem eu não falava a um tempo curto. Sentia saudades de Lea e precisava conversar com ela, precisava olhar em seus olhos e sentir o calor dos mesmos me preencher, precisava tocar em sua pele e ver que ela era real. Segurei firmemente minhas baquetas pretas e olhei pela janela, vi o sol brilhar alegremente, me fazendo sorrir abobalhado, voltei a olhar para meu quarto e olhei para o telefone que estava em minha mesa de estudos, ou agora de coisas inutilizáveis, peguei-o com firmeza e disquei o número de Lea, sentindo meus dedos tremer enquanto tocavam as teclas. Fiquei esperando que ela atendesse, enquanto olhava de novo para o sol e para a rua ainda vazia, por fim, quando eu desisti daquela ligação, uma voz suave e um pouco alegre falou.

― Jimmy? Oi.
Sorri quieto enquanto sua voz ecoava dentro de minha cabeça, me fazendo ficar meio nauseado.
― Ah, olá Lea. Como vai?
― Estou bem, e você, como está?
― Hum... Também estou bem. ― Fiquei calado após isso, ouvindo a respiração suave de Lea pelo telefone. Por fim, falei, com a voz meio fraca. ― É-é... Lea, bem... Quer sair comigo?
Senti sua respiração ofegar e ela falou com a mesma fraqueza que eu.
― Que-quero sim, Ji-Jimmy.
― Então, que tal eu te pegar aí na sua casa mais tarde?
― 18h tudo bem?
― Si-sim...
― Hãããn, pra onde vamos? ― Perguntou Lea agora com a voz mais firme e mais alta.
― Éé... Espera, vou te fazer uma surpresa. ― Sorri para mim mesmo com aquilo.
― Ah, então tudo bem. Vejo-te às 18h ta?
― Sim, até mais.
Desliguei o telefone.
Fiquei olhando para o chão por alguns minutos, um pouco desnorteado. Era meio novo para mim, o meu primeiro encontro, e com Lea. Eu queria muito ela e precisava que aquele encontro desse certo.

Eram 17h em ponto e eu acabara de me trocar, vestia uma camisa preta com o logo de uma marca conhecida, estava com minha calça jeans de cor preto desbotado e um tênis branco. Meu cabelo normalmente penteado com a franja masculina ficava perto dos meus olhos, então me olhei no espelho, aprovando a mim mesmo o look. Desci correndo as escadas e fui para a cozinha, ficando de frente para minha mãe. Ela se virou lentamente para me analisar e ficou com uma cara que eu desconhecia. Ela me olhou mais de perto e parou na minha frente, depois falou.
― Espere, precisa de um toque a mais.
Minha mãe saiu correndo antes mesmo de eu pensar em falar algo. Passados alguns minutos e ela desce da escada, trazendo junto dela uma blusa de manga curta e botão, logo a joga para mim e me fala, em tom definitivo.
― Vista isso, vai dar um impacto melhor na roupa.
Olhei-a com cara de curioso, sem saber o que fazer. Ao olhar pra mim, minha mãe responde em tom de raiva.
― Você quer impressionar a garota? Comece pelas roupas.
― Tudo bem, tudo bem, eu visto.
Coloquei a blusa e a olhei.
― Agora está legal.
Lancei um breve sorriso para ela, que retribuiu com um sorriso aberto e largo. Virei-me e fui direto para a porta, abrindo, senti um puxão em meu ombro.
― Não vai me dar um beijo de despedida?
― Mãe, eu estou indo pro meu primeiro encontro, você acha que eu vou lhe dar um beijo de despedida?
― Você deve.
― Ah tudo bem, que seja.
Beijei-lhe a bochecha e parti para fora, enquanto a voz de minha mãe dizia.
― Boa sorte querido, que dê tudo certo.

Ao me aproximar da casa de Lea, senti um frio em minha barriga que fez meu corpo estremecer, por fim parei diante da porta da casa de Lea e respirei fundo, sentia como se fosse cair a qualquer momento, eu suava muito e me senti pálido e fraco, realmente eu estava nervoso. Fiquei ali por alguns segundos e depois bati na porta algumas poucas vezes, mas nem precisou de muito tempo e Lea saiu... Meu Deus tem alguma garota que seja mais perfeita que ela?
Olhei-a de cima a baixo e analisei-a com delicadeza, abri ligeiramente a boca ao ver todo o traje que Lea vestia. Aquele vestido até a altura do joelho de cor rosa claro, o sapatinho branco e o cabelo com a franja presa me fez delirar, olhei-a mais algumas vezes e parei em seu rosto curioso e delicado, ela me olhava com o olhar brilhante e radiante, fiquei sem palavras, até que Lea tomou partida.
― Vamos?
― Hããn, sim, vamos. ― Falei um pouco desesperado.
Peguei sua mão com cuidado, segurei-a na minha e comecei a caminhar. Ainda sentia minhas pernas tremer e sabia que poderia desabar a qualquer momento, então tentei colocar força no passo. Lea me pegou de surpresa após alguns minutos com uma pergunta que eu mesmo estava fazendo para mim.
― Jimmy, para onde estamos indo?
― Bem, ééé... ― Pensei por alguns segundos, torcendo para ela não perceber que eu estava planejando aquilo agora. ― Vamos para... Ah, é um pequeno plano, quando você chegar vai saber.
Dali em diante, o silêncio pairou sobre nós todos, chegou até a ficar irritante ver aquela garota sensível e linda quieta, era quieta demais para o meu gosto, então tentei arranjar assunto

― Faz um bom tempo que não nos vemos não é?
― É, eu... Bem, estava com saudade. ― Respondeu ela enquanto abaixava a cabeça, envergonhada.
― Bem, eu também, gosto de ficar perto de você. ― Respondi, sorrindo gentilmente.
Passaram-se mais alguns minutos enquanto eu ia para a travessa de lugar algum com nenhum lugar, pensando somente aonde eu levaria Lea. Andando pelas ruas, apenas olhando para restaurantes e fast-food. Cheguei a uma rua que me deu a solução, ali, no fim da rua, uma grande sorveteria, com algumas poucas pessoas, tinha cara de ser legal, então falei para Lea.
― Chegamos...
― Hããn, onde estamos?
― Sinceramente... Eu não sei. Desculpe Lea, foi tudo muito corrido, nem tive tempo de pensar em algum lugar para irmos, mas, bem, desculpe, eu...
― Hey, tudo bem, o importante não é o lugar e sim a presença. Já que me trouxe aqui, vamos tomar um sorvete.
― Ah, tudo bem.
Enfim, compramos o sorvete e sentamos numa mesa para duas pessoas. Começamos a comer as grandes bolas de sorvete misturadas, então me senti mais calmo para puxar algum assunto.
.








― Lea... O que tem feito ultimamente? Afinal, parece que não estamos atualizados sobre a vida um do outro não é?
― Ah bem, eu... Tive estudado. Minha vida é muito chata, você sabe disso Jimmy, foi ótimo você ter me chamado para sair, eu estava pra enlouquecer lá em casa, livros e livros todo o dia, isso é horrível. Estou virando uma máquina, eu sei disso. Mas e você, o que tem feito além de tocar bateria?
Sorrio ligeiramente enquanto olhava para Lea, interessado em cada palavra que ela dizia.
― Eu, além de tocar bateria? Tenho dormido. Muito interessante minha vida. Tocar bateria e dormir, coisas que eu adoro fazer. ― Sorri com mais vontade ao ver a felicidade de Lea ouvindo-me falar aquilo.
Passados vários minutos de conversa e olhares, por fim, os sorvetes acabaram e o clima de amizade foi sendo passado para um clima mais romântico. Levantamo-nos e saímos da sorveteria. Andando novamente pelas ruas, agora com as mãos entrelaçadas, conversávamos sobre coisas mais sérias, como namoro, escola, pais e até mesmo... Sexo.
As conversas foram ficando quentes e cada vez mais intima, senti certo prazer em falar com Lea sobre assuntos que não conseguia falar com mais ninguém, era tão libertador e bom.

Fomos de encontro a um parque, que no momento estava totalmente vazio. Senti um leve arrepio enquanto andava pelo parque com Lea, agora em silêncio. Sentamos em um banco perto de algumas árvores, então ficamos nos olhando, ainda em silêncio, senti sua mão quente na minha, fiquei alisando-a carinhosa e tranquilamente, sentindo a vida que estava ali. Comecei a me aproximar levemente, com sutileza, enquanto olhava nos olhos de Lea, que neste momento sorria de um jeito simples e cativante.
Toquei seu braço e depois seu rosto, colocando a mão em seu cabelo com certa apreensão, vendo cada reação de Lea, depois, fui me aproximando mais, olhando para o olhar de Lea e para a boca da mesma, admirando aquela feição perfeita. Senti meu nariz roçar o nariz de Lea, então sorri de leve. Continuei com as carícias no cabelo de Lea, enquanto beijava o canto de seus lábios, sentindo sua pele macia e lisa, então por fim, toquei seus lábios por completo, com cautela, iniciando o meu primeiro beijo.

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