Já nao sabia mais o que fazer, tantas coisas acontecendo em tao pouco tempo, eram muitos problemas para uma cabeça só.
Resolvi sair e andar sozinho, isso sempre me deixava mais relaxado, ainda mais quando eu levava o meu diskman com o meu CD do Slayer. Eu tinha acabado de almocar, e meus pais estavam em casa dormindo, entao fui até meu quarto lentamente, coloquei os meus tenis all star, e desci as escadas rapidamente mas com um tom suave, para nao acorda-los.
Ao tentar abrir a porta, vi que a mesma estava trancada, e nao estava nem um pouco afim de ir buscar a chave no quarto dos meus pais; na verdade, eu nunca entendi porque eles trancavam a porta da frente e levavam a chave até o quarto deles, mas eu nem questionava, fui em direção a cozinha, ainda sem fazer barulho, abri a geladeira e avistei uma lata de refrigerante lá no fundo, estiquei a minha mão lentamente com propósito de pega-la, e quando virei a lata, vi que estava vencida.
Fiquei muito puto, eu adorava aquele refrigerante, e agora eu estava com muita vontade de beber um, andei até a sala de estar e abri a gaveta do móvel lentamente, onde tinham apenas 5 dólares, mas já era o suficiente para comprar o meu refrigerante. Entao voltei para a cozinha, e andei até a porta que tinha ao lado da geladeira, fazia tudo isso com todo cuidado possível para nao acordar os meus pais, a porta que eu abri, me levava até a lavanderia, mas de lá tinha uma passagem para a rua.
Ao chegar na rua, vi que Zacky estava correndo no meio da rua em minha direcao e em uma velocidade considerada rápida, ele quase caiu ao tropecar em uma pedra que tinha pelo caminho, isso fez ele parar de correr e comecar a andar, mancando, mas veio andando, afinal, eu percebi que o chute que ele deu na pedra tinha sido dolorido.
- hey jimmy ! - grita zacky
- eai cara, tudo bom ? - respondi com cara de desconfiado
- tirando o calombo que vai ficar no meu pé, to ótimo cara ! voce nao vai acreditar, consegui marcar um show naquela casa de shows do Turner - diz zacky ofegante
- nossa ! que foda cara, já avisou os outros ?
- só o matt e o justin, nao encontrei o brian - responde zacky, demostrando muita dor no pé
- Brian... ele nao vai sair da banda né ? - perguntei aflito
- eu nao sei cara, tomara que nao... - responde zacky com a cabeça baixa
- bom, e quando é esse show ? - perguntei
- é, daqui tres meses, dia 23 de Outubro
- bom, temos que ensaiar bastante, nao quero passar vergonha haha - tirei com a cara dele
- engracado voce né - zacky responde com um tom ironico - bom, tenho que ir, a gente se ve cara !'
- falou, se cuida - me despedi
Tomei o meu rumo de volta, e voltei a caminhar pelas calcadas, andava lentamente escutando meu Slayer, e observava tudo a minha volta, como se eu fosse um simples garotinho de 2 anos, que comeca a descobrir o mundo.
Eu via famílias brincando juntas, criancas e seus amigos, pessoas da terceira idade conversando, era uma coisa bonita; o dia estava ensolarado e todo mundo tinha tirado o dia para sair de casa.
Eu andava, e dava uma pausa, ficava parado no meio da rua me perguntando, '' porque em um mundo frio, de guerras e conflitos, as pessoas tem laços com as outras ? nao entendo, pessoas magoam umas as outras, querendo ou nao, esses laços... ''
Nunca, em toda a minha vida eu havia parado para pensar por esse lado, até porque eu sempre tive o matt como amigo, entao eu nunca imaginaria que seria tao dolorido quebrar um laço, como eu já tive laços com Lea.
Eu me sentia um lixo, mesmo sabendo que tinha meus amigos, imaginar que tudo aquilo iria mudar, pois eu ia ser pai, nunca iria me perdoar por isso.
- Nao aguento mais essa pressão psicológica - resmunguei para mim mesmo
Ao chegar ao parque da cidade, procurei sentar-me o mais distante o possivel das pessoas, pois a única coisa que eu queria era ficar sozinho, com meus pensamentos.
Andava para um lado e para um outro, impaciente, até que pisei em um dos meus cadarços e cai de cara no chão. Como se nao bastasse a dor psicológia, agora estava com meu nariz doendo, mas nao tive forças para me erguer, minha cabeça já nao distinguia mais nada, e eu apenas me perguntava o porque, qual o propósito da minha vida ? será que eu realmente tenho um propósito ?
Saber que eu iria ser pai, de uma mulher que nao amo, e ainda saber que eu iria ter que assumir esse compromisso, saber que minha mae, já com idade avançada, talvez nao suportaria essa notícia, e o meu pai, que sempre me apoiou em tudo, o que iria pensar de mim ? Eu nao via outra escolha, a nao ser tirar a minha própria vida.
Levantei lentamente, e com os olhos cheios de lagrimas, até que consegui me erguer e ficar em pé. Andava sem destino, com passos curtos e sem brilho nos olhos, após 10 de caminhada, os 10 minutos mais longos da minha vida, cheguei na ponte do parque, que tinha mais ou menos uns 10 metros de altura, onde em baixo passava o leito de um rio, com uma correnteza relativamente forte, mas cheias de pedras no fundo.
Olhava para um lado e parao outro, para checar se nao havia ninguém me observando, subi nas grades e tomei conciencia do que estava fazendo.
- Adeus Matt, Adeus mamae, Adeus pai, Adeus Zacky, Brian e Justin, voces foram as melhores coisas que aconteceram na minha vida, e eu sou grato a voces por tudo - Disse em voz alta, mas para mim mesmo, e entao tomei coragem e pulei.
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